10 mulheres negras para ficar de olho em 2019

Por Winnie Bueno, especial para Casa da Mãe Joanna.
Imagem destacada: entrevista com Mahmundi para o tracklist.com
Imagens do texto enviadas pela autora 

Winnie agradece a comunidade negra do Twitter, que ajudou na elaboração desse texto recomendando o nome de muitas das mulheres que aqui estão citadas.

Que 2019 vai ser um ano difícil nas terras brasilis já sabemos. Mas sabemos também que vai ter luta e resistência. E nada melhor para que a gente possa começar o ano inspiradas do que ter em quem se inspirar.

Por isso listamos 10 mulheres poderosas que merecem ser acompanhadas de pertinho no ano que começa nas mais variadas áreas de atuação. A gente bota fé no afeto e nas vozes das mulheres negras para reagir ao conservadorismo.

Segue essas minas!

1: Mahmundi

A carioca Mahmundi lançou seu disco no ano que finda e é uma das promessas para 2019. Dona de uma voz doce, Mahmundi canta em suas composições temas que tocam o coração e a mente. Fala de leveza, de sentimentos e da possibilidade de cura através da música. Seu som é plural, tem música para refletir sobre os dias difíceis, música para dançar e música para ouvir de cabeça colada com a pessoa que a gente gosta. “Para dias Ruins”, o último trabalho de Mahmundi está disponível em todas as plataformas digitais e a gente recomenda com força.

2: Violeta Naya 

A estilista goiana é preocupada com consumo consciente e com moda afetiva. Violeta Naya entende o tecido como algo vivo, no qual muitas coisas residem e podem aparecer. Costura contando histórias e preocupada com o conforto de quem veste suas peças. Você pode conferir a coleção “Contém Axé” no perfil de Facebook da marca.

3: Bia Ferreira

Bia tomou conta das redes com os versos de “Cota Não é Esmola”. Tomou conta também dos corações e mentes de gente preta, e colocou a reflexão sobre os privilégios raciais em forma de canção para muita gente se impressionar. A canção “De Dentro do Ap” é o papo que toda mulher preta queria passar para muita feminista branca. Bia parou no teatro, interpretando Elza Soares sem nunca ter atuado antes, e foi destaque da produção sobre a vida da mulher do fim do mundo. Seu novo álbum está com lançamento previsto e certamente é algo para aguardar em 2019. “Eu boto fé”, single do novo disco, já está disponível no canal da cantora. Dá o play que vale cada segundo:

4: Vera Veronika

Esta é uma mulher de milhares de fazeres e saberes. Vera Veronika é rapper, etnógrafa de si mesma, educadora, ativista, e uma mulher que faz jus a tudo que sobre o que ela é dito. Ninguém fica imune a potência de Vera Veronika, que há 25 anos aposta no RAP como ferramenta de transformação social. É pioneira na cena RAP de Brasília, e uma mulher que sabe a que veio. Nessa potente entrevista para o site Blogueiras Negras você tem a oportunidade de sentir Vera Veronika e todas suas possibilidades de ampliar o mundo com suas palavras e potências.

5: Tuyo

Tuyo é família.  E Lio e Layy Soares, as irmãs que dão voz, corpo e alma para o som autoral curativo que é feito pelo trio, são mulheres incríveis como poucas. As canções da banda tocam no fundo da gente e ajudam a nos perceber enquanto sujeitos, enquanto pessoas cheias de sentimentos complexos, que doem e que fazem chorar. Sentimentos que não são só aqueles provocadas pelo racismo, mas oriundos das dores mais profundas do ser. Tuyo é uma experiência potente de recordar que somos mais do que os sofrimentos experimentados por uma vida marcada pela violência racial. São pessoas pretas falando de dores que podem parecer banais mas que também fazem parte de nós e não podem ficar diminuídas ou banalizadas. Convidados para dividir os vocais de “Flamingos” no disco Bluesman de Baco Exu do Blues, 2019 promete ser um ano de repercussão para esse trio que é uma potente mulher negra.

6: Talíria Petrone

Talíria Petrone é feminista negra, professora de história, socialista e uma das representantes do legado de Marielle Franco. Foi eleita deputada federal pelo estado do Rio de Janeiro com 107 mil votos e será, ao lado de Áurea Carolina, que também integra essa lista, uma das vozes das mulheres negras no Congresso Nacional. A agenda política defendida por Talíria tem como pontos principais um novo modelo de segurança pública , educação pública com viés crítico e defesa dos direitos das mulheres. Junto com outras mulheres representantes do campo da esquerda negra, é uma potente flor rompendo o asfalto* e um sopro de esperança para o período que se aproxima

* referência ao texto de Marielle Franco no livro Tem saída? (Editora Zouk, 2017)

7: Áurea Carolina

Representante de um novo jeito de fazer política, através do chamado mandato coletivo, Áurea Carolina é uma mulher que contagia com seu afeto e seu sorriso aberto. Compromissada em fazer política de forma compartilhada e colaborativa, Áurea é fruto do RAP e das lutas de mulheres negras. A bem sucedida experiência da Gabinetona, bem como seu compromisso com as lutas populares, fizeram-na chegar até Brasília como uma representante não apenas do povo mineiro mas das mulheres negras brasileiras. A ampliação da Gabinetona, representada agora na Câmara Municipal de Belo Horizonte e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais através de Andréia de Jesus, primeira mulher negra a exercer o cargo de deputada no estado de Minas, e de Áurea no Congresso Nacional, é uma importante experiência que demonstra como que a centralidade da luta de mulheres oriundas de grupos subalternos pode ser a chave para transformar as estruturas corroídas e burocráticas de uma esquerda que segue tendo dificuldades em se repensar.

8: Erica Malunguinho

Exigindo alternância de poder, Erica Malunguinho foi a primeira mulher trans a ser eleita como deputada estadual pelo estado de São Paulo. Ouso dizer que Erica talvez seja a maior vitória do ano de 2018 para aqueles que se insurgem contra as violências que sofrem as mulheres negras. Representante de muitas lutas, Malunguinho é uma potente voz que representa um quilombo. Erica atravessou, transcendeu e com ela atravessaram milhões de mulheres negras. É a força mítica ancestral consciente das tecnologias de poder para mobilizar forças transformadoras. Uma mulher trans, nordestina, que crê nas forças de matriz africana ao centro da legislatura conservadora do estado de São Paulo.

9: Rosana Paulino

Artista visual, pesquisadora, educadora, doutora em artes visuais pela USP, é destaque por sua produção voltada a questões étnico-sociais. Seus trabalhos têm como principal foco a mulher negra na sociedade brasileira, e muitas de suas obras estão expostas no MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo); UNM Art Museum (Museu de Arte da Universidade do Novo México) e no MuseuAfroBrasil. No mês de dezembro de 2018 estreou sua primeira exposição individual na Pinacoteca de São Paulo com um olhar para os negros na história brasileira. A galeria completa de Rosana pode ser acessada em seu site rosanapaulino.com.br.

10: Você

É, você mesma. Você que resistiu a 2018 com toda a gana do seu coração. Você que muitas vezes chorou sozinha, que quis não levantar mais de sua cama com todos os motivos para isso, e levantou. Você que enfrentou o racismo e o sexismo de peito aberto, que não permitiu que ninguém definisse quem você é. Você que sobreviveu e que encontrou coragem onde existia medo. Você que construiu afeto para guiar seus dias, você que defendeu o legado de mulheres negas, você que está no corre e na batalha. É para ficar de olho em você, que abre teu próprio caminho com responsabilidade e luta. Em 2019 a gente vai estar de olho em você que é nossa inspiração e que renova nossa esperança em dias muitos melhores. Você é o grande nome do ano que termina, e a potência transformadora do ano que começa. A gente tá junto contigo para o que der e vier.

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