Ser feminista é ser otimista

Pois bem, estes números.

Queremos manter uma atitude positiva. Mas vamos ser francas: a situação, realmente, não é.

Nestes que vêm sendo dias de feminismo intenso na internet, vimos a campanha #primeiroassédio do Think Olga​ mobilizar mais de 80 mil tweets contando exatamente o que diz a hashtag e o #ENEM2015 dar um tapa de luva em quem não queria saber de gênero na educação.

O volume de relatos das muitas formas como as vidas das mulheres são atravessadas por violência sexual, mesmo quando ainda meninas, e a velocidade com que estas histórias foram compartilhadas, expõem a necessidade de espaços como esse, onde possamos falar sobre isso, abertamente e sem medo.

Daí veio o ENEM e se transformou em outro desses espaços! A já histórica prova de 2015 propôs que candidatas discorressem sobre a persistência da violência contra as mulheres no Brasil: um prato cheio para quem vinha discutindo feminismo com elã nas redes.

Quem quer que tenha elaborado a prova estava prestando muita atenção no que dizia a internet. E deu no que deu. Quem estava acostumado a latir para silenciar e amedrontar não soube como usar as palavras. O ativismo de internet conseguiu provar um ponto crucial: que a a linguagem usada por machisteens onlayne – “vitimismo”,”mulher tem seu lugar”, e a batida mas ubíqua “falta de rola” – simplesmente não pode ser desenvolvida argumentativamente, pois é bullying.

E a Internet, esta deusa, em segundos gerou um sem fim de memes mwahahahaha sobre o tema. Foi incrível. Está sendo incrível.

Os dados continuam alarmantes, mas os eventos dos últimos dias de certa forma revigoraram meu sentimento de que ser feminista é ser otimista. Acreditamos tanto na mudança, mas tanto, que lutamos por ela implacavelmente.
Seguimos!

Por Joanna Burigo

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