Palavras da revolução feminista

Quando vou escrever sobre feminismo eu paro e penso: quais palavras eu devo usar pra não dar margem às interpretações de que feministas são agressivas? Preciso mesmo ter que escrever que “mulher pode se depilar” ou “eu me depilo”, só pra agradar quem não faz reflexão de maneira consciente?

Deixamos nossos textos agradáveis aos olhos da grande massa para tentar aproximar as mulheres distantes do movimento? Ou é para ficar dando confete pra omi que acha que sabe tudo de feminismo, mas não aceita a mina que ele fica, do jeito que ela é?

Pra que tanto ódio?, perguntam. Mas camarada, você já viu feminista questionar feminista, por “ódio”? Provavelmente não. E a justificativa é que: somos odiadas. E isso não é vitimismo (tá vendo como temos que nos explicar sempre?), é a nossa vivência.

Somos odiadas pela nossa perseverança, pela nossa desconstrução de tudo que sempre falou falando a mídia e as grandes indústrias, que era até há pouco tido como certo. Vai ver que é certo mesmo mulher com dedo na goela pra se encaixar num padrão; vai ver que é certo não ter coragem de denunciar homem que bate em mulher; vai ver que é certo mulher ser questionada por ser independente demais, caseira demais…

Não vou mentir dizendo que só queremos direitos iguais, poder não se depilar sem ninguém julgar, poder pintar ou não o cabelo, que queremos salários iguais, que queremos ter o direito de escolher ter ou não filhxs em um determinado momento, ou mesmo  nunca, que queremos andar na rua sem ninguém mexer com a gente, que queremos usar a roupa que quisermos, que não queremos ser rotuladas a todo instante de santa, puta, rodada, vagabunda…

Nós queremos revolução, e revolução meu amigo, não se faz com calma, não se faz com serenidade.

É pé na porta quando precisar, é tapa na cara se piorar, é olho no olho de macho que acha que manda na gente. Eu quero é mais, mais feminismo, mais emancipação e empoderamento!

Por Giovana Vito Mondardo
Ilustração: Camila Geremias França

Comments

Comentários