Minhas amigas verdadeiramente belas, recatadas e do lar

Fiquei pensando nas minhas amigas verdadeiramente belas, recatadas e “do lar”…

Ninguém que esteja postando fotos bêbada e com pouca roupa na minha timeline. Precisamos falar sobre estas mulheres? Precisamos sobretudo ouvi-las.

Contei nos dedos de uma mão. A maioria infelizmente está perdida, buscando ansiosamente um papel social, mesmo que na velocidade de uma tartaruga fora d’água. E é isso que preocupa. A pessoa realizada, minha gente, já é todo o caminho andado.

Na adolescência, ou vai lá, até início da vida adulta, enquanto eu estava preocupadíssima com moralismos que não eram meus, algumas delas me mostravam com exemplos bem práticos o caminho simples da liberdade, como a mulher pode ser dona do próprio corpo, seja ele como for, e das próprias vontades também, do próprio caminho.

E como se amavam, eu admirava e me inspirava tanto aquele amor próprio, algumas até já enfrentavam – com jeitinho ou com rompantes, dependendo do temperamento – seus pais ou namorados na busca de respeito e compreensão. Isso muito antes do feminismo voltar pra pauta. Elas eram fodonas mesmo, as minhas amigas belas, recatadas e “do lar” eram muito fodonas. O que acontece?

Já não vemos por aí amigas que esperariam solitárias o marido chegar em casa, nem aquelas que sentem a vida vazia de significado. Benzadeusa! Ainda assim, tenho a impressão que pouca gente acredita de verdade nas minhas poucas e boas amigas belas, recatadas e “do lar”. Nem elas mesmas eu sinto que acreditam mais em si.

A tal “renda mínima”, último grito nos países mais mais desenvolvidos, parece que sufoca e empaca quando não vem acompanhada de doses altas de autoestima. Dá pra refletir mais sobre o que acontece no meio do caminho de algumas meninas empoderadas, sobretudo para que isso não se perca.

Eu diria que é medo. Há quem tenha medo de meninas superpoderosas.

E tenho a impressão que o background de uma menina de 20 anos que se casa com um senhor de 62 se apresenta entre duas alternativas: ou é uma vítima influenciável ou é uma mulher porreta que sabe exatamente onde quer chegar (valores pessoais à parte).

E o medo é uma praga que paralisa e cega. Os pais com medo da liberdade da filha, o marido com medo do potencial da esposa. E talvez aí algumas vão perdendo o seu prumo. Ainda quero ver Marcela fazer a Ticiane Pinheiro no quadradinho de oito ou, sei lá, abrir uma holding para todas as marcas de apliques de tranças embutidas disponíveis no mercado.

Quero ver minhas amigas também dando um duplo twist carpado e expulsando os invejosos que ficam de cara quando toca PRE-PA-RA!

Por Amanda Busato
Imagem destacada: daqui.

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