Bela, recatada, do lar e uma nova sociedade

A comoção em torno do #belarecatadaedolar não é à toa. Existe mais violência atrelada a essa ideia do que é possível notar à primeira vista.

É comum em todos os espaços as mulheres serem desencorajadas a expressarem suas vozes e fazerem demandas que lhes garantam pé de igualdade.

Esses espaços vão desde o emprego aos movimentos sociais. Nos dizem “melhor não falarmos sobre isso. Vai dar treta, vai dar discussão” o que deixa claro a falta de vontade de sequer ouvir o ponto de vista feminino sobre determinado aspecto.

Outra coisa comum é o mansplaning (quando um homem tenta explicar pra gente como as coisas são): quando a sociedade mudar (se referindo ao sistema financeiro e estrutura física) seus problemas serão resolvidos.

Numa dessas discussões sobre uma nova sociedade um cara disse que numa Economia Baseada em Recursos (EBR) nós mulheres teremos acesso a máquinas de lavar que podem secar e dobrar as roupas sozinhas. O que prova que ser exposto a diversos materiais que discutem paradigmas de uma nova sociedade não necessariamente dá a pessoa capacidade de entender algo que vai alem da própria realidade – esse tipo de comportamento geralmente vem de homem, branco e hétero.

Então vamos à reflexão:

Recatada

A ideia que mulher boa é mulher quieta.

É comum homem dizer “fica tranquila, nós homens vamos resolver isso pra vocês”

Quando um homem faz isso ele – sabendo ou não – está tentando tirar a voz de mais da metade da população.

A imposição de um comportamento especifico na sociedade é diferente entre um homem e uma mulher.

É desde de criança que o menino é educado pra ser líder, porta voz. A menina a ser recatada, a ouvir a liderança do homem.

Por mais difícil que seja pra um homem ouvir e aceitar que mulheres têm suas próprias demandas quando se trata de uma sociedade mais igualitária, tá na hora de aprender a dar espaço pra isso.

Dica: toda vez que uma mulher quiser falar sobre demandas femininas, ouça. É provável que você como homem não sofra a mesma coisa – pelo menos não na mesma extensão. Pesquise sobre mansplaning e gaslighting e evite esses comportamentos.

Bela

Mulheres são massacraras desde da tenra infância a se encaixar nos padrões pré-estabelecidos de beleza. que vai desde da cor da pele e dos olhos, ao peso, diâmetro do quadril, tamanho dos seios, tipo de cabelo e estatura.

Falam constantemente pra gente que se não nos encaixarmos nos padrões nenhum homem vai nos querer e vamos morrer sozinhas e infelizes – pra fechar o combo que uma mulher só pode ser feliz se tiver acompanhada de um homem.

Dai o cara pode dizer “ahh, mas homens também sofrem com isso”. Sim, nós sabemos disso. O que nós estamos tentando trazer a tona é a diferença do peso disso na sociedade entre um homem e uma mulher.

Esse peso não vai desaparecer sem reflexão sobre o assunto.

Do lar

Quando um homem sugere que numa sociedade com mais acesso à tecnologia e sem a pressão do capitalismo uma mulher vai poder ter mais tempo pra passar com a família ele deixa claro que é assim que ele vê a mulher – um ser pra ficar no lar.

E vale a pena falar o óbvio: o protesto não é contra mulheres que escolhem seguir esse padrão de bela, recatada e do lar. É contra a ideia que só essas mulheres tem valor.

Está na hora de começar a nos ver – e a nos aceitar – em todos os espaços, especialmente os de liderança.

 

Por Patrícia Piorum
Imagem destacada: daqui

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