Tatuagem feminista

Estou aqui pra fazer um desabafo. E também pra contar uma coisa ótima que aconteceu.

Eu sou tatuadora. Como em todas as áreas, é difícil pra nós, mulheres, conseguirmos nos encaixar no mercado de trabalho e termos o sucesso desejado. Já faz mais de um ano que estou nessa profissão e perdi as contas dos insultos e assédios.

No começo foi bem complicado. Teve cantadinhas de todos os tipos, teve tatuador que não me contratou porque eu teria que fazer “trabalhos a mais” pra ele, teve homens botando a mão na minha coxa, no meu braço, na minha barriga, pegando na minha bunda, nos peitos, no cabelo.

Em todas as vezes, procurei manter a calma e explicar que o corpo de uma mulher não é publico. E foram poucas as vezes que recebi um pedido de desculpa.

Geralmente o assédio vem seguido de agressão verbal. Com o tempo a gente vai se sentindo desvalorizada, é foda.

Mas ao mesmo tempo que “perdi” clientes machistas, ganhei em dobro o reconhecimento de quem me respeita. Ganhei auto estima, ganhei consciência e, acima de tudo, aprendi a empoderar. São muitas mulheres que chegam aqui cabisbaixas e cansadas dessas situações, mas saem percebendo o brilho que tem e prontas para lutar pelos seus direitos.

E aí que vem aquela coisa ótima que aconteceu.

Hoje recebi uma ligação de uma cliente. Ela me agradeceu pelas conversas e pelo apoio, terminou o relacionamento abusivo e está feliz da vida com a tatuagem nova. Eu to me sentindo demais! Sabe aquele quentinho no coração que dá quando a gente ajuda alguém?

Então, era isso. Escrevo para reforçar a ideia.

Nunca deixem de escutar e empoderar as meninas que cruzam o seu caminho.

As vezes a gente não tem noção de que uma conversinha honesta pode ser o impulso que a pessoa precisava. Que cada vez possamos nos apoiar mais. E que prevaleça sempre o amor e o respeito.

Estou de alma lavada, a compaixão vale sempre a pena.

Por Muriê Kümmetz Troglio 
Imagem destacada: daqui

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