Estupro: uma afirmação do domínio sobre as mulheres

O estupro é uma afirmação crua do domínio masculino sobre as mulheres.

Impõe-se às mulheres como ameaça que está sempre no horizonte. É o horror que se inscreveu na vida da moça que teve seu corpo tomado como objeto de domínio bárbaro, que foi violentada, humilhada, exposta. E esse mesmo horror tem sua dimensão coletiva, social, que faz desse e de cada estupro uma mensagem a todas as mulheres: vocês não são sujeitos das suas vidas. Os homens teriam o poder de valorizá-las ou marcá-las com ódio.

O fato de sermos vítimas potenciais de violência sexual é uma experiência que atravessa as vidas de diferentes mulheres, ainda que esse risco seja vivido em condições distintas, desiguais.

Cada estupro é um acontecimento, mas a ameaça sempre presente constitui o sentido da violação. Trata-se da opressão como violência “sistemática e dirigida a membros de um determinado grupo [as mulheres, nesse caso] porque pertencem a esse grupo e são reconhecidos como tal”, como define Iris Young em “Justice and the politics of difference” (1990), quando fala das faces da opressão nas sociedades contemporâneas.

A cultura do estupro pode ser entendida como um mecanismo sistemático de reposição da dominação. Ainda que ela possa conter reações às mudanças no papel social das mulheres, aos avanços nos direitos das mulheres, o que lhe dá combustível é o machismo como ambiente cotidiano (de socialização, é sempre bom lembrar) e institucional (de impunidade e de contenção da construção da igualdade de gênero).

No contexto atual, as iniciativas retrógradas para impedir o debate sobre gênero, para reduzir a presença das mulheres na política e para restringir seus direitos têm uma face à qual é preciso nomear claramente: a violência.

 

Por Flávia Birolli
Imagem destacada: daqui.

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