Pessoas brancas: o padrão social normativo

Se você é uma pessoa branca, você é uma pessoa absolutamente dentro do padrão social, dentro da normatividade.

Não importa se seu cabelo é raspado, não importa se sua barba cresceu até a barriga, não importa se você não depila pernas e axilas, não importa se seu cabelo é roxo, lilás ou rosa choque. Você é e está dentro do padrão.

O padrão é ser branco e heterossexual. De preferência magro, bem magro. Mas se você for branco e gordo, tudo ok, vão te induzir a emagrecer pra ficar 100% dentro do padrão. Pessoas brancas e gordas, principalmente homens, estão 50% dentro do padrão. Mulheres brancas, heterossexuais e gordas estão 30% dentro do padrão. Mas ainda estão dentro, porque o padrão é branco.

Se você não é heterossexual mas ainda assim é branco, você está 50% dentro do padrão. Vai ter problemas, mas vai achar um lugar ao sol, porque a sociedade quer pessoas brancas. A sociedade quer casais brancos, famílias brancas, empresas brancas, escolas e universidades brancas, banqueiros brancos, proprietários de imóveis brancos, mestres e doutores brancos, tudo branco.

Esse é o padrão.

Se você tem um relacionamento monogâmico com outra pessoa branca, você está dentro do padrão. Não importa que ambos sejam veganos e donos de ONG no estilo white savior ou abdicaram do conforto de seus privilégios. É padrão. Se você é branco e tem um relacionamento poliamoroso, é padrão também, desde que todos sejam brancos.

Em qualquer situação em que você permaneça branco em uma sociedade que coloca o ser branco como padrão, você é padrão.

Agora, brancos que são padrão: parem de se achar subversivos só porque tem alguma coisa que destoa do fluxo conservador da normalidade, seja esteticamente ou politicamente. As pessoas brancas do teu meio te criticam, mas no fundo te adoram porque se reconhecem em você. E vão ajustar alguma coisa se possível, mas se você resistir vão te aceitar, numa boa, porque você é branco.

Reconhecer isso é o mais próximo que você pode fazer para subverter a lógica. Reconhecer que é padrão em qualquer situação. Mas porque o branco padrão não gosta de reconhecer que é padrão? Porque usa esse privilégio pra brincar de fazer revolução. Daí a gente tromba com uma legião de patricinhas gratidão-protetoras-dos-animais-praquefeminismonegro e barbudinhos-das-humanas-guevarianos-amor-não-tem-cor-charges-racistas-loosermanos, achando que estão lutando contra opressões, quando na verdade estão apenas reforçando o padrão branco que dá direito a tudo, inclusive de achar que está fora do padrão.

Pensem em como quebrar esse padrão que vocês na ânsia em se ver fora estão cada vez mais dentro.

Eu, que não sou padrão messsssmo, porque apesar de ser magra sou negra retinta, sei o caminho e falo desse caminho diariamente. Apoiada por mais de 50 mil manas e manos.

Ouçam…e parem de ser patéticos.

A gente não aguenta mais rir de vocês nas cirandas psicodélicas que vocês promovem pra falar sobre as “tragédias políticas” que nem mesmo te atinge e do quanto você precisa sair do Brasil porque “tá foda”. Você é o padrão. Pratiquem o que dizem, sejam o que fingem ser pra impressionar seus mozões,

Usem camiseta polo e cabelo até a cintura, sem problema, não é na estética que a revolução se baseia, porque se fosse vocês já teriam libertado a América Latina inteira. Sejam reais lutando contra vocês mesmos e o padrão que vocês representam. É mais digno.

Por Joice Berth
Imagem destacada: daqui

Comments

Comentários