Mulheres fortes: vó Terezinha

Meu nome é Milena, tenho 17 anos e estou atrás de histórias sobre mulheres NADA conhecidas, que consciente ou inconscientemente ajudaram na luta das mulheres. Mulheres que foram fortes em uma época que os homens dominavam as narrativas. Histórias, por exemplo, como a da minha avó.

Terezinha foi uma mulher que nasceu por volta dos anos 30, mas nunca fez parte do “padrão”. Na adolescência ela quis ser dançarina de sapateado, mas não pôde pois a família não permitiu. Depois ela descobriu seu amor pelo circo, e também não foi autorizada a seguir seu coração, apesar de poder frequentar o espetáculo.

Nesse tempo, quando ela tinha cerca de 14 anos, ela conheceu Octavio. Octavio era um rapaz de boa família, e gostava de Terezinha, mas ela teve a “cara de pau” de rejeitá-lo, dizendo que não queria namorar um notório conquistador.

Anos se passaram e Terezinha se casou. Logo em seguida engravidou. Mas seu marido… ela não o aguentava mais, por isso se desquitou, o que na época foi um es-cân-da-lo. Uma mulher desquitada e com filho? Ah não. Aquilo era inadmissível.

Então ela resolveu ir tentar a vida em outro lugar. Foi obrigada a deixar o filho com a mãe, e se mudou para a Argentina. Seis anos depois ela voltou, e então um homem bateu em sua porta. Era Octavio, que naquele tempo da adolescência havia mesmo dito a ela que, se ele um dia fosse sossegar, seria ao seu lado. Eles começaram a namorar, e agora sim o povo falava mais ainda coisas sobre ela. A família de Octavio a detestava, mas tiveram de aceitá-la – ela e seu filho, e pois ambos foram morar com ele.

Ela viveu anos ouvindo xingamentos e tendo de ser forte e criando seu filho. Mesmo depois de ter ido morar com Octavio e dar à luz seu segundo filho, ela não parou: continuou trabalhando e lutando e caminhando com suas próprias pernas até o dia de sua morte, em 2011.

Sabe meninas, minha avó morreu sem eu poder dizer o quanto eu a admirava. Na época eu era muito criança, não tive a consciência do quão maravilhosa ela foi, e não há nada que me deixe mais triste do que não ter podido fazê-lo. Por isso quero homenagear, a ela e a outras mulheres, escrevendo e divulgando suas histórias, para que essa espiral de encorajamento chegue em cada vez mais mulheres.

Por Milena Schil
Imagem destacada: detalhe de Rosie the Riveter

Comments

Comentários