Sobre a galera que critica a geração tombamento

Uma parte do movimento negro diz: a geração tombamento só quer saber de dar close com tranças coloridas e comprar Nike Air, não quer saber de se aprofundar na militância e nos estudos acadêmicos.

Aí vem us brancos: Esse povo de cabelo colorido pensa que é gente. Um bando de mulheres vulgares junto com um bando de viado que não quer nada com a vida.

Vocês conseguem notar como esse grupo de jovens negros é deslegitimado e atacado a todo tempo pelos brancos e por boa parte dos(as) militantes negros(as)? Os ataques que recebemos da branquitude são muito semelhantes aos ataques que recebemos por boa parte do movimento negro.

Será que isso é justo com a gente? Será que nós estamos tão errados assim, a ponto de ver negros e brancos concordando em atacar um grupo de jovens negros da periferia?

Como se não bastasse, uma estudante de jornalismo escreve um texto criticando a geração tombamento com base em uma experiência pessoal, sem nenhuma reflexão social, e esse texto viraliza entre os militantes que acham que a geração tombamento não estuda nem milita. Aí eu escrevo um textão rebatendo o texto da mina, com base acadêmica, tudo muito bem fundamentado, e o que eu tenho como resposta é: você é muito academicista, não precisa dá carteirada acadêmica pra rebater um texto.

Essa reflexão me fez lembrar de uma música do Charlie Brown Jr. que diz assim: “Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, o jovem no Brasil nunca é levado a sério”.

Reflitam.

Por Renata Prado
Imagem destacada: Karol Conká, via Geledés

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