O racismo, mora nos detalhes, nas sutilezas, nas entrelinhas

O racismo, meus senhores, mora nos detalhes…nas sutilezas…nas entrelinhas. Por que o brasileiro é um ser viralatista e covarde. Podemos usar vários exemplos pra ilustrar essa verdade, mas vou usar um.

Um certo jovem ~chargista~ chamado Vitor Teixeira, da mesma espécie do veterano Latuff, qual seja, esquerdomacho/machiracista, se referiu a uma mulher negra como “uma certa professora de filosofia”. As críticas foram sobre a ausência da abordagem cirandeira, muito usada pela esquerda branca, de ficar falando “Fora Temer” em toda e qualquer situação (Qualquer semelhança com a turma do FORA Dilma não é exatamente uma coincidência…) como um mantra que vai resolver sozinho todos os problemas políticos que experimentamos atualmente (desde 1500).

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Da página de Facebook do chargista

Cobranças para que uma mulher negra use um discurso subversivo em espaço branco é mato. Quando essas pessoas ocupam esses espaços, o que exatamente elas fazem de subversivo, senão se adequar perfeitamente a ele? Isso quando não plagiam o discurso do Mano Brown (ídolo absoluto dessa gente branca que não consegue entender que o Brown fala exatamente deles nas músicas, ryzuz) e não comparecem nesses espaços porque são revolucionários o bastante para fazer a revolução apenas na Vila Madalena/Pinheiros/Vila Mariana (mais ryzuz).

Toda e qualquer pessoa negra sabe que espaços brancos são campos minados, que é preciso adentrar com cuidado para não pisar onde não deve, porque pode ser fatal. Mas precisamos ocupar todos os espaços possíveis, porque a pele preta por si só já é subversão móvel da mais potente.

A pele preta por si só já é subversão móvel da mais potente.

Mas o ~chargista~não sabe disso. Porque não sabe? Por que a única parte dos assuntos raciais que interessam a ele é a brecha para impor seu discurso agressivo-passivo de mantenedor dissimulado de privilégios brancos.

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A filósofa Djamila Ribeiro no programa Diálogos com Mário Sérgio Conti, na GloboNews
(fonte: Instagram de Djamila Ribeiro)

Poderia fazer outras abordagens, como por exemplo o fato de entre tantos entrevistados que já passaram por ali, maioria esmagadora de brancos e brancas, apenas a entrevista da “certa professora de filosofia” mereceu sua crítica vazia com nuances óbvias de recalque, mas o que chama atenção é que a forma que ele utiliza para falar sobre um mulher negra me remete diretamente a uma das maiores intelectuais que esse país já teve e que com toda certeza o ~chargista~não conhece: Lélia Gonzáles.

Ela disse em uma das entrevista-espetáculo que concedia para mídias negras, por que as mídias progressistas já na época dela não tinham nada de progressista: “O negro(a) tem que ter nome e sobrenome, senão o racista bota o nome que quiser”.

Esse racista preferiu nem botar nome…

Por essas e outras, afirmo e reafirmo que em terras de elitizados cafonas que se dividem em defensores explícitos de seus privilégios e “revolucionários” machiracistas dissimulados que não suportam ver preto ocupando lugares que a lógica diz que é para eles: O racismo, meus senhores, mora nos detalhes…nas sutilezas…nas entrelinhas.

E viva Lélia Gonzáles!

Por Joice Berth
Imagem destacada: Lélia Gonzáles (daqui). 

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