Onde estão as filósofAs?

Quando alguém te pergunta o nome de algum expoente da filosofia ocidental, qual nome vem automaticamente a sua mente? Aristóteles, Platão, Kant, Rousseau, Hegel, Nietzsche ou qualquer outro filósofo homem de grande renome e importância na história da filosofia? Provavelmente sim.

E quando você recorreu aos livros de história da filosofia, quantas filósofas você encontrou lá? A resposta honesta para essa pergunta é: poucas ou nenhuma. Isso porque, desde os manuais de filosofia destinados aos alunos da rede pública de ensino até as grandes coleções de filosofia das universidades mais conceituadas do mundo, quando muito aparece, timidamente, uma coluna com algum artigo mínimo explicando quem foi Simone de Beauvoir e/ou Hannah Arendt – e olha lá.

O que significa isso em termos práticos? Significa que dentro da filosofia a filósofa aparece na ampla maioria das vezes como a estudante de filosofia, e não como a filósofa que merece ser estudada. E, a não ser que você seja alguém com interesse de ler sobre feminismo e suas filósofas, ou que tenha curiosidade de ler além do que é apresentado naquela cadeira de filosofia do seu curso, é muito provável que você passe a toda a sua vida sem saber quem foram Hipátia, Aspásia, Safo de Lesbos, Hildegarda de Bingen, Olympe de Gouges, Lou Andreas-Salomé, Marilena Chaui, Susan Sontag, Graciela Hierro, Angela Davis, Judith Butler e tantas outras.

O que é uma lastima já que essas e tantas outras filósofas tiveram seus nomes omitidos dos grandes manuais da história da filosofia. E não porque tinham uma produção medíocre ou insípida, mas porque simplesmente não foram nem ao menos consideradas, num meio onde impera o pensamento masculino, hegemônico e eurocêntrico.

Todavia, não me cabe aqui discutir ou acusar a filosofia pela falta de espaço concedido às filósofas ao longo dos milênios da sua existência. A filosofia não tem culpa nesse processo histórico, e é nossa responsabilidade mudar esse panorama. A proposta aqui é abrir o espaço para que essas filósofas sejam lidas e discutidas não somente dentro do feminismo, mas em todos os meios (sejam eles acadêmicos ou não). Que tal se informar e compartilhar mais sobre as filósofas?

Foi pensando nessa proposta que a filósofa Juliana Pacheco organizou o livro “Filósofas – A presença das mulheres na Filosofia” que será lançado e disponibilizado pela Editora Fi gratuitamente no seu site.

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Esse livro conta com a participação de várias filósofas, historiadoras, professoras e estudantes que abraçaram a proposta de divulgar através dessa obra quem são as filósofas que não aparecem nos manuais de filosofia. E mais, o livro não apenas apresenta quem são essas filósofas, mas também qual a contribuição delas para a história do pensamento, trazendo ao grande público o conhecimento da sua existência e importância dentro da filosofia.

Assim convido todas e todos os que se interessam pelo tema para prestigiar o lançamento do livro “Filósofas – A presença das mulheres na Filosofia”, no dia 17 de Novembro de 2016 na sala 501 do prédio 5 da PUCRS.

O evento contará com as seguintes comunicações:
“Por que filósofas?” – Juliana Pacheco (Organizadora do livro)
“Angela Davis – Uma pantera negra na filosofia” – Evlin Ferreira (uma das autoras do livro).

Mais informações na página do evento no Facebook.

Por Renata Floriano

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