Processos Seletivos Discriminatórios

Participar de um processo seletivo parece algo bem simples, você fica sabendo de uma vaga na sua área, manda e-mail, faz um cadastro no site da empresa e é chamado para uma entrevista pessoal.

Por vezes você vai encarar apenas um recrutador para fazer algumas perguntas, em outras, uma verdadeira comissão investigativa (entrevistador, psicólogo, diretores e gestores da empresa). Até mesmo para um profissional qualificado, este pode ser um momento de desconforto, afinal terá que falar dele próprio, de suas qualidades, defeitos, frustrações e êxitos. E quando o desconforto se agrava com perguntas do tipo:

– Você pretende ter filhos logo?

Há poucos dias recebi uma chamada para participar de um fórum virtual em uma importante rede social de negócios. O tema? Machismo em entrevistas de emprego.

Aparentemente uma candidata estava relatando ter passado por situação idêntica a esta narrada acima, porém se mostrava uma mulher bastante empoderada, não tinha intenções de trabalhar em uma empresa machista, mas não ficou calada. Denunciou o machismo e… Foi apedrejada em praça pública!! Ops! Em rede social de negócios.

As escusas? As mais machistas possíveis. Escondidas em leis trabalhistas que desconhece totalmente e na cultura machista, atiraram suas pedras: advogadAs, CEO de empresa ambientalista, alguns pastores de determinadas igrejas evangélicas, entre outras personalidades.

Arguiram (alguns) que é uma prática perguntar se a candidata sendo mulher pretende ter filhos, ignorando totalmente o Art. 7, inc. XXX da Constituição Federal- proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

Outros ainda atacaram a vítima de machismo dizendo que ela era uma queimadora de sutiãs, apareceram homens para tentar comparar a licença paternidade de 5 dias com a licença maternidade de 120 dias, alguém disse que as mulheres querem tanto se igualar aos homens, que na próxima geração serão todos cavalos marinhos e mais desconhecimento das consolidações das leis do trabalho, da constituição e mais vergonha alheia.

Há pouco menos de um ano, um amigo empresário me contava que havia contratado um bom funcionário, que era um verdadeiro achado profissional, mas qual não foi sua surpresa quando o mesmo foi conduzido da sua empresa para a cadeia por não pagar a pensão alimentícia que deveria pagar. E não era regime semiaberto, ele fugia há tanto tempo de pagar os alimentos de seus três filhos, que o juiz pediu a prisão em regime fechado.

Agora me responda: Quantas vezes você ouviu alguém dizer que um homem foi questionado em entrevista de emprego se mantinha pensão alimentícia em dia? Quantas vezes ouviu falar de alguma empresa precavida que pediu cópia do processo e dos comprovantes de depósitos? Quantas vezes você se perguntou se a licença paternidade seria realmente utilizada para cuidados com o filho recém-nascido?

Quantas, hein?

Por Luana Flores
Imagem destacada: HuffPost
Artigo originalmente publicado em aempreendedora.com.br e compartilhado com a #CDMJ pela autora.

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