Grandes Mulheres Da História – I

A escritora Mariana Varella vem compilando, em sua página de Facebook, pequenos perfis de grandes mulheres. Ela diz: “Lendo o livro “Good night stories for rebel girls” (Histórias de ninar para garotas rebeldes), fiquei com vontade de levantar mini-bios de grandes mulheres, aquelas que não são citadas na história, apesar de fazerem parte dela. Desde criança, me chama a atenção o fato de sabermos tão pouco sobre a atuação de mulheres na história mundial. Por isso, decidi escrever sobre elas, para que nos inspirem”.

Usando a hashtag #GrandesMulheresDaHistória ela nos oferece, regularmente, pérolas de informação sobre mulheres cujos feitos definiram o curso da humanidade. Para que essas mulheres sejam ainda mais celebradas, combinamos com Mari que vamos registrar este conhecimento aqui no blog da CDMJ também. Essa é a Parte I. Fique atenta que ao longo do ano publicaremos mais.  E compartilhe!

Grandes Mulheres Da História – por Mariana Varella – Parte I

A americana Coy Mathis (2007) nasceu com os genitais masculinos. Mas desde muito pequena sentia-se menina e pediu para ser tratada como tal. Um dia, aos prantos, a menina pediu à mãe: “Quando um médico vai me consertar?”. Ao perceber que Coy se identificava com o gênero feminino, sua família passou a respeitá-la como a menina que era. Os problemas começaram quando a menina passou a frequentar a escola e ser obrigada a usar o banheiro masculino. Coy, apesar de ter apenas 6 anos, recusou-se. Os pais entraram na justiça e Coy teve seu direito de usar o banheiro feminino reconhecido. A família de Coy decidiu contar sua história no filme “Growing Up Coy“. Seu caso se tornou emblemático na luta pelos direitos das crianças transgêneras do país.

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Michaela DePrince nasceu em Serra Leoa, em 1995. Depois de perder os pais na guerra civil que assolou o país (o pai morreu assassinado e a mãe, de fome), foi mandada para um orfanato, onde ganhou o apelido de “filha do diabo” devido às manchas brancas que tinha na pele, causadas pelo vitiligo. Aos 4 anos, ao ver a foto de uma bailarina em uma capa de revista no orfanato, decidiu que seguiria a profissão. Foi adotada por uma família judaica americana, que logo reconheceu o talento da menina e a ajudou a dedicar-se à dança. Hoje é a única bailarina de origem africana do Dutch National Ballet, na Holanda.

 

Eufrosina Cruz nasceu em uma comunidade zapoteca no México, em 1979. Seu pai um dia lhe disse que mulheres só podiam fazer tortillas e filhos. Indignada com seu destino, foi às ruas vender chicletes e frutas para pagar seus estudos. Formou-se em contabilidade e retornou ao seu vilarejo para dar aulas a meninas indígenas. Em 2007, decidiu se candidatar à Prefeitura da cidade. Ao contrário do que esperavam, ganhou as eleições, que foram anuladas pelas autoridades indígenas, pois mulheres não podiam governar. Eufrosina não desistiu e conseguiu mudar a lei. Criou uma organização, QUIEGO, que luta pelos direitos das mulheres indígenas. Em 2010, foi eleita presidente do Congresso de Oxaca. “Quando uma mulher decide mudar, tudo ao seu redor também muda.” 

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Manal Al-Sharif (1979) nasceu na Arábia Saudita, país onde as mulheres não podem, entrem muitas outras coisas, dirigir. Indignada, pegou o carro do irmão; gravou e postou um vídeo no YouTube em que aparece dirigindo. No vídeo, disse: “Se um homem pode dirigir, por que uma mulher não pode?” Dias depois, foi presa. Isso só fez o vídeo ser ainda mais divulgado, atingindo milhares de pessoas. Semanas depois, em um protesto histórico, centenas de mulheres sauditas saíram às ruas de carro. Manal foi presa de novo. Por causa de sua ousadia, toda sua família sofreu repressões. Assista aqui sua palestra no TedTalk, em que conta sua própria história.

 

Fadumo Dayib (1973) nasceu no Quênia, de pais somalis. Não frequentou a escola na infância – aprendeu a ler e a escrever somente aos 14 anos. Na adolescência, exilou-se na Finlândia com os irmãos, para fugir da guerra na Somália. Apesar de viver anos fora, nunca esqueceu seu país, para onde voltou como funcionaria da ONU para atuar na área de saúde pública, em especial no combate ao HIV. Fadumo foi a primeira mulher a concorrer para presidente na Somália, e embora não tenha vencido e apesar das ameaças de morte que recebeu, sua candidatura ajudou a lançar luz sobre a questão dos direitos da mulher no país. Saiba mais sobre ela.

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Clare Hollingworth foi uma jornalista inglesa correspondente de guerra. Além de feito ter grandes matérias para o Daily Telegraph e de ter dado o “furo do século“, ela ajudou milhares de refugiados a fugir do nazismo. Mas o que mais me interessou em Clare foi o olhar. Passei o dia tentando reproduzi-lo. Ainda chego lá. Preparem-se.

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Karuna Nundy nasceu e cresceu na Índia, de onde se mudou para estudar Direito na Inglaterra. Trabalhou também em Nova York e na ONU. Apesar de ter diante de si oportunidades que nunca vislumbrara, decidiu voltar para seu país e atuar na defesa dos direitos humanos, em especial dos direitos da mulher. Como membro da Suprema Corte Indiana, ajudou a elaborar as leis que ficaram conhecidas como “Leis Anti-Estupro”. Uma de suas lutas recentes visa a combater o estupro dentro do casamento. Tornou-se uma das principais porta-vozes dos direitos das mulheres indianas no mundo. “O patriarcado é um tema de saúde pública.” Mais sobre Karuna aqui.

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Mileva Marić nasceu na Sérvia, em 1875, com uma luxação nas pernas que a obrigou a mancar a vida toda. Mudou-se para Zurique, onde estudou matemática e física. Muito talentosa, foi a única aluna mulher do famoso físico Albert Einstein, que viria a se tornar seu marido. Antes de se casarem, Einstein e Mileva tiveram uma filha, que foi dada para adoção. Segundo pesquisas, Mileva ajudava Einstein em seu trabalho e checava a matemática de seus artigos. No entanto, sua contribuição nunca foi comprovada. Após o divórcio, Einstein prometeu, caso ganhasse o Prêmio Nobel, dar o dinheiro para Mileva criar os filhos. Em 1922, ele cumpriria a promessa. Mileva morreu poucos anos após o divórcio. O papel da mulher que abdicou da carreira promissora em nome da família no trabalho de Einstein nunca foi plenamente esclarecido.

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