Filosofando sobre o cara do revólver

Uma mulher me escreve pedindo ajuda dizendo que está grávida e o cara abandonou-a. Ela manda também um print do perfil dele no Facebook. Na foto, ele está com uma arma e faz campanha para um pré-candidato à presidente do Brasil que defende valores ultraconservadores.

Apresentado o quadro, muitas perguntas me vêm à cabeça:

  • ela sabe o que ele pensa sobre as mulheres em geral?
  • o que ela esperava do relacionamento?
  • ela quer ter filhos?
  • ela quer ter um filho agora?
  • esse cara, em algum momento, lhe parece um pai adequado para criar seu filho?
  • que opções legais ela tem agora?

Retomando um pouco a questão dos valores ultraconservadores defendidos por você sabe quem:

  • o homem é superior à mulher
  • mulher deve ganhar menos que homem
  • o cidadão de bem deve se armar para se proteger dos bandidos
  • bandido bom é bandido morto
  • leis iguais para os iguais; leis diferentes para os diferentes
  • mulher direita não faz sexo casual
  • “quem mandou abrir as pernas?”
  • somente o exército garante a ordem

Será que ela concorda com isso também? Me esforço para imaginar um romance com um cara que pensa e defende essas ideias. Não consigo.

Consigo, no entanto, enumerar diversos caras desses à minha volta. É fácil, infelizmente. E vai se tornar cada vez mais fácil, pode apostar. Conheço homens às pencas que estão sempre procurando uma ‘namorada’ nova. Geralmente separados, mas tem os novinhos também com esse pensamento.

Eles se esforçam na conquista. Gostam de se mostrar poderosos de início. Se beneficiam do senso comum besta “tá faltando homem no mercado”. Assim que arrumam uma namorada, vão delimitando seu espaço:

Quem nunca viu um cara desses? Eles estão mostrando as garrinhas. Cada dia mais. Agora que têm até um representante na política… não têm mais vergonha de ser como são. Representatividade é força. Empodera as pessoas, legitima seu discurso.

Um abraço,

Ana Emília Cardoso
Imagem destacada: ele tá bem Putin…

Ana é autora do best seller A Mamãe É RockNatal, Férias e Outras Histórias

Comments

Comentários