De branco para branco, melhoremos

O principal motivo de voltar (por enquanto) para o Facebook, foi racismo. Em uma conta famosínea do Instagram. Parei de assistir Masterchef com todas as rachas mor sapatões profissionais desse meu Braseel, para falar sobre o assunto.

Muita gente nunca ouviu falar sobre o pacto narcísico porque estudos sobre racismo e sobre branquitude são marginalizados assim como toda a cultura não branca é.

Muito resumidamente, o pacto narcísico (termo criado pela autora Maria Aparecida Silva Bento) é “um acordo tácito entre pessoas brancas e ele se dá na percepção de que muitos brancos progressistas que combatem a opressão e as desigualdades silenciam e mantêm seu grupo protegido das avaliações e análises. Eles reconhecem as desigualdades raciais, só que não associam essas desigualdades raciais à discriminação e isto é um dos primeiros sintomas da branquitude.”

Para explicar o pacto na prática, cito exemplos.

Numa roda qualquer de conversa (fora da bolha), escola, graduação ou trabalho, todas as situações se organizam a partir e para corpos brancos. A partir deles, a gente pode observar quem é mais validado. Se for um corpo masculino, tem mais validação. Se for feminino, a disputa pelo espaço estará colocada com os corpos brancos masculinos. A partir disso, inicia-se uma construção, quem fala mais, quem é mais aceito, e esses corpos vão organizar o espaço. E todos os corpos racialiazados terão de se ajustar a isso. Senão são deslegitimados, estereotipados, “negra raivosa”, “negro violento”, etc.

Esse pacto acontece mesmo sem as pessoas se conhecerem, por isso é tácito e muitas vezes inconsciente. Perdura mesmo que as pessoas não sejam próximas umas das outras.

Uma fã deu de presente, não quero expor pois acredito ser menor de idade.

Pois bem, vi a imagem acima no Instagram, de uma modelo ruiva que namora um cara famoso que já é apontado de ser racista porque só namora mulheres ruivas. Algumas pessoas apontaram a frase “uma garota sem sardas é como uma noite sem estrelas” como sendo racista. Não estou aqui para discutir o teor racista da imagem, mas para falar sobre o que aconteceu depois. Pelo que eu entendi, uma fã fez pra ela, e é racista sim, saca? E quando apontada pelo racismo, a dona da conta disse que CONHECIA NEGRAS QUE TINHAM SARDAS. E começou a baixaria defensiva.

Fãs questionando a problemática, dizendo que as pessoas eram infelizes, que era mimimi, que não tinham mais o que fazer. “Geração podre”, disseram. A própria dona da conta do Instagram disse para uma menina que ela PRECISAVA ESTUDAR MAIS inglês pra ela entender, chamando a menina de burra pelas entrelinhas, AH A CONDESCENDÊNCIA! Outras dizendo que tinham sofrido muito bullying pra não se orgulharem das sardas.

Gente, pára. Comparar bullying com racismo tá feio demais.

Mas vamos voltar ao que interessa.

Diria eu que ainda tem grandes chances.

Quantas vezes no Facebook vimos isso acontecer? Pessoas apontadas com falas racistas ficarem na defensiva e outras pessoas “defenderem”? Criticando, agredindo verbalmente, ameaçando, excluindo, inferiorizando e no final, essas pessoas continuam sendo chamadas pra cantar no Lollapalooza, pra fazerem mais um canal de macho no Youtube, pra fazer campanha x na tevê…

Quando nós, pessoas brancas, perpetuamos o pacto narcisístico, nós silenciamos vivências de opressão.

Racismo é crime, e apontar isso não é falta do que fazer. Essa cumplicidade branca em torno desse assunto mata e exclui pessoas, não faça parte desse tipo de pessoas. Bora estudar, branquitude. Tem grupo no Facebook pra isso, tem Youtube, tem Medium, tem muito conteúdo escrito por mulheres negras que são essenciais à leitura.

Busquem conhecimento, quebrem esse círculo vicioso que nós construímos séculos atrás.

Vídeo da maravilhosa Chescaleigh, Youtuber, diva, etc.
Infelizmente só tem legenda em inglês por enquanto!

Deixe sua dica de leitura nos comentários. Agradecimentos mais que especiais para Alves Fefê e também para Maria Aparecida Silva Bento, autora de BRANQUEAMENTO E BRANQUITUDE NO BRASIL. Feliz dia de São Cosme e Damião salve os Ibejis! Salve a cultura negra! Salve as ruas e os erês!

Por Bárbara Gondar. Texto originalmente publicado no Medium da autora, de onde também vêm as imagens e vídeos, tudo reproduzido aqui com sua autorização.

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