Faceboook desativa grupos exclusivos de mulheres por “discurso de ódio”

Grupos do Facebook que são voltados exclusivamente para mulheres estão sendo desativados em Outubro de 2017 por conter, alegadamente, discurso de ódio. Quem acessou a rede social no dia 24/10/17 ficou sabendo que alguns grupos não existiam mais e estavam disponíveis apenas para os administradores.

De acordo com o que os administradores de grupo revelam em seus posts, a mensagem enviada a eles pelos coordenadores que analisam as denúncias para a rede de Zuckerberg afirma que o grupo foi denunciado por outros usuários do Facebook ao violar as regras de convivência.

Para os administradores do grupo “Diu de cobre”, uma comunidade voltada a ajudar mulheres a conhecer e usar corretamente esse método contraceptivo, a mensagem recebida começa assim:

“Diu de cobre foi desativado por não seguir os Termos do Facebook e os Padrões da Comunidade. Não permitimos que grupos contendo ameaças de danos físicos a outras pessoas ou conteúdo direcionado especificamente para indivíduos. Além disso, não permitimos grupos contendo discurso de ódio ou que rotule pessoas com base na raça, etnia, nacionalidade, religião, sexo, gênero, orientação sexual, deficiência ou doença”, afirma a denúncia.

Não é especificado o teor das acusações, mas as internautas que eram membros do grupo estão chocadas e confusas sobre o seu desativamento, comentando que não conseguem compreender como um grupo que trata de uma questão feminina sobre planejamento familiar possa ter sido denunciado por discurso de ódio.

O questionamento sobre o encerramento do grupo também esbarra na questão colocada na mensagem onde se afirma que a rede social não permite “ameaças de danos físicos”. Os membros e administradores do Diu de Cobre estão questionando a decisão do Facebook, alegando que um grupo que trata de ajudar mulheres a usarem um método contraceptivo considerado seguro e acessível não se configura como uma “ameaça de danos físicos à outras pessoas”.

Outro questionamento pertinente é a alegação da rede social de que não é permitido grupos com “conteúdo direcionado especificamente para indivíduos”. Mas, a grosso modo, a maioria dos grupos dessa comunidade online é justamente formada para atender a um propósito específico, como falar de maternidade, ou vegetarianismo, ou para falar de jogos. A caracterização neste aspecto parece ser, à primeira vista, pelo fato de que esses grupos eram exclusivos para mulheres. Pelo que se pode apurar até esse momento, a descrição do grupo Diu de Cobre só permitia a entrada de mulheres como membros.

Em outro post, administradores do “Indique uma mana” também avisaram aos seus membros que o grupo foi desativado. Esta comunidade reunia mulheres de Goiás que publicam indicações para serviços prestados ou produtos fornecidos por mulheres e para mulheres, mas não se pode apurar se a descrição do grupo também só permitiria a entrada de mulheres, como no Diu de Cobre. Até onde se soube, a rede social reviu a decisão e reativou esse grupo.

A medida está assustando outros grupos que foram criados especificamente para mulheres, como o Feministrampos, já que muitos membros que fazem ativismo pela causa feminista afirmam que as denúncias que o movimento faz sobre páginas e grupos de cunho misógino, racista, xenófobo ou pedófilo raramente resultam em desativamento dos mesmos, que permanecem funcionando e ameaçando a vida de milhares de pessoas todos os dias.

Por Andreia Nobre
Imagem destacada: Feminist Current

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