7 Mulheres Queer Pioneiras Sobre Quem Você Não Aprendeu Nas Aulas de História

Texto de Samantha Manzella originalmente publicado em inglês no site New Now Next da LogoTV, traduzido com exclusividade para Casa da Mãe Joanna por Daniela Tolezano Madureira. Imagens reproduzidas do texto original.

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É o Mês da História das Mulheres, então estamos destacando as vidas e realizações de sete incríveis mulheres queer que são frequentemente esquecidas pelos livros de história.

1. Catalina de Erauso (1585-1650)

Pouco se sabe sobre os primeiros anos de vida desta freira do século 17 que escapou do convento, disfarçada de homem, e que se alistou ao exército espanhol. Mas as escapadas da soldada “gender-bending” (N. Ed.: que subverte normas de gênero) pela Espanha e pela América espanhola foram conservadas em sua autobiografia, a A Freira Tenente (The Lieutenant Nun).

Não está claro como Erauso se identificava: Em alguns momentos de sua vida, ela se apresentava como mulher e usava pronomes femininos; em outros momentos, ela assumia completamente uma identidade masculina. De qualquer maneira, quando ela não estava duelando, sendo jogada na prisão, ou evitando perseguição religiosa, ela seduzia inúmeras mulheres – incluindo a esposa do chefe na loja que ela gerenciava no Peru.

2. Aphra Behn (1640-1689)

Como Erauso, as origens desta novelista, poeta, dramaturga e tradutora britânica do século 17, são envoltas em mistério: seu nome e data de nascimento não são confirmados, embora ela tenha trabalhado como uma espiã da realeza na Holanda. Mais notavelmente, entretanto, ela foi uma das primeiras mulheres britânicas a ganhar a vida como escritora: Behn publicou mais de 16 peças e vários romances, incluindo O Justo Abandono (The Fair Jilt), Agnes de Castro e, o mais famoso, Oroonoko.

Ela deixou pistas sobre sua sexualidade em sua escrita: em um poema de sua antologia Lycidus Behn escreve, “Para a justa Clarinda, que fez Amor comigo, pensada mais que mulher.”

Embora críticos de seu tempo tenham a condenado por escrever tópicos como sexo, impotência, e o orgasmo feminino, ela agora é elogiada como dramaturga e uma influência enorme no desenvolvimento do romance.

Ela também é lembrada em Um Teto Todo Seu (A Room of One’s Own) de Virginia Woolf: “Todas as mulheres juntas, devem deixar flores caírem sobre o túmulo de Aphra Behn… pois foi ela que conseguiu a elas o direito de falarem o que quiserem.”

3. Anne Seymour Damer (1748–1828)

Damer (nascida Conway) foi uma escultora do século 18 chamada “a versão feminina de Bernini” por sua habilidade com mármore. Ela era na verdade uma das únicas escultoras mulheres de seu tempo, mas tendo nascido em uma família afluente permitiu a Damer a ser artista, algo impossível para a maioria das mulheres naquela época.

Ela casou com John Damer em 1767, mas os dois se separaram depois de sete anos. Ela logo passou a viver com a dramaturga Mary Berry, quem muitos historiadores acreditam ser sua amante. Damer favorecia roupas masculinas e tinha muitos relacionamentos próximos com mulheres: Ela era acusada de lesbianismo durante sua vida em panfletos satíricos como Uma Epístola Sáfica de Jack Cavendish para a Honorável e mais Bela, Sra. D. (A Sapphick Epistle from Jack Cavendish to the Honourable and most Beautiful, Mrs D.) (a diarista britânica Hester Thrale escandalosamente chamou Damer como “uma Dama muito suspeita de gostar de seu próprio Sexo em uma maneira criminosa.”)

4. Frances Thompson

Thompson, uma escrava libertada que viveu no sul nos anos 1860s, foi designada como do sexo masculino no nascimento, mas se apresentou como do sexo feminino em sua vida adulta.
Em 1866, Thompson depôs no Congresso sobre os famosos tumultos de Memphis, uma série de ataques com motivação racial contra a comunidade Africana-americana da cidade. (Ela e sua colega de quarto, outra escrava liberta, foram estupradas por agitadores durante o ataque à cidade.)

Infelizmente, uma década depois, a polícia prendeu Thompson por vestir roupas de mulher, e seu status como “travesti” foi usado para desacreditar seu depoimento.

5. Alla Nazimova (1879-1945)

Nascida Miriam Edez Adelaida Leventon na Rússia, Nazimova tornou-se uma estrela da Broadway com performances em peças de Ibsen e Chekhov, e por aparições em vários filmes mudos.

Ela foi chamada de “mãe da Hollywood Sáfica,” e teve relacionamentos públicos com mulheres proeminentes incluindo a atriz Jean Acker, a diretora Dorothy Arzner, e a escritora Mercedes de Acosta. Sua paixão de muito tempo Glesca Marshall viveu com Nazimova em sua propriedade no Sunset Boulevard, Garden of Alla, onde rumores diziam que era palco de festas libertinas nos anos 1920s.
Nazimova se casou duas vezes, embora sua união com o ator gay Charles Bryant (abaixo) nunca foi consumada e eles se divorciaram depois de um curto período.

Ela é creditada por ter criado a frase “círculos de costura” para se referir às atrizes lésbicas e bissexuais de Hollywood.

6. “Babe” Didrikson Zaharias (1911-1956)

Uma multi-atleta condecorada, Zaharias jogou basquete e beisebol em sua juventude, e ganhou duas medalhas de ouro no atletismo nos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1932. Ela então se tornou uma jogadora de golfe profissional e, em 1950, ajudou a lançar a Associação Profissional de Golfe Feminino.

Atlética e alta, e frequentemente usando roupas masculinas, Zaharias subverteu noções de feminilidade nos anos pré-guerra. Embora casada com o lutador profissional George Zaharias, Babe supostamente se envolvia romanticamente com a jogadora de golfe Betty Dodd, que passou a viver com o casal.

A biógrafa Susan Cayleff escreve, “elas nunca usaram a palavra ‘lésbica’ para descrever sua relação, mas há pouca dúvida que Dodd e Didrikson eram parceiras íntimas e amorosas.”

7. Marion “Joe” Carstairs (1900-1993)

Uma herdeira da fortuna da Standard Oil, Joe Carstairs tinha uma verdadeira paixão por corrida de barcos e ela era promovida como a “mulher mais rápida na água”. Ela vestia roupas masculinas, fumava charutos, tinha tatuagens visíveis e era abertamente lésbica em uma época em que isso era desconhecido. (Para ter acesso à sua herança, Carstairs casou-se com um amigo de infância, mas o casamento foi depois anulado.)

Durante a Primeira Guerra Mundial, ela colocou suas habilidades no volante em uso como motorista de ambulância na França. Depois da guerra, ela comandou um serviço automotivo em Londres com um grupo de outras mulheres. Em1934, ela comprou uma ilha nas Bahamas, onde ela hospedou convidadas queer famosas como a atriz Marlene Dietrich (com quem ela supostamente teve um caso).

Quando Carstairs faleceu em 1993, ela foi cremada com o Lorde Tod Wadley, um boneco de pelúcia dado a ela por sua namorada Ruth Baldwin.

Para saber mais sobre estas grandes mulheres e outras estrelas desconhecidas da história, confira o podcast Stuff You Missed in History Class.

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