Aborto legalizado

Pela legalização do aborto, sim. Lutaremos.

Não é ser contra a vida, é ser a favor da vida das mulheres negligenciadas por preconceitos e invisibilidades sociais.

Em todos os países que o aborto foi legalizado, ocorreu uma diminuição na procura. Por quê? Legalizando a gente obriga a sociedade a falar sobre. Informação. Sério que vocês ainda vivem no mundo paralelo que acham que todas as brasileiras têm o mesmo acesso às informações?!

Os abortos não param de acontecer com a proibição. Eles ocorrem em clínicas clandestinas. Dessas clínicas clandestinas, apenas mulheres de classe média-alta e classe alta conseguem realizar um aborto seguro. A maioria morre tentando abortar em casa, em uma clínica clandestina nada segura, que não considera a saúde das mulheres e que pensa apenas no lucro que obterá.

Os hospitais não vão encher de mulheres querendo abortar. Os hospitais já estão cheios de mulheres que abortaram clandestinamente e correm risco de vida pelo procedimento precário.

A cada 2 dias, uma brasileira morre por aborto inseguro. É um problema de saúde pública e diz respeito à violação dos direitos das mulheres.

Após a legalização do aborto no Uruguai, os números caíram significativamente. Segundo o governo de lá, entre dezembro de 2012 e maio de 2013 não foi registrada nenhuma morte materna por consequência de aborto. E o número do procedimento baixou de 33mil por ano, para 4 mil. Óbvio que o governo não apenas legalizou o aborto, mas incluiu políticas educativas na população, visando a promoção de saúde. É isso que se faz com um problema de saúde pública. Se pensa no todo.

No Brasil acontecem cerca de 1 milhão de abortos provocados e 250 mil internação em razão de complicações.

Nenhuma mulher quer abortar. Nenhuma mulher quer passar por isso. A proibição se mostra muito eficaz sim. Eficaz para a morte dessas mulheres.

O vídeo “Clandestinas”, dirigido por Fádhia Salomão, conta histórias de mulheres que abortaram ilegalmente no Brasil. Com depoimentos que contam suas próprias experiências e interpretam relatos de anônimas, o vídeo mostra como a criminalização da interrupção voluntária da gravidez penaliza todas as mulheres.

“Somos clandestinas
Por toda cidade
Mulheres meninas
De todas idades
E de todas as cores
E de todas as classes
Correndo perigo
Culpa do impasse
Quem faz proibido
Guarda em segredo
Para não ser julgada
Para não sentir medo
4 mil sem juros
Passando apuro
Método inseguro
Sangrando no escuro
E quem não tem como pagar
Fica refém do que dá
Agulha, remédio, chá
E continua por lá
Sangrando no escuro só
Veja bem, veja bem
Quem é que é refém
Veja bem, veja bem
E quem lucra com quem
Veja bem, veja bem
Eu que sou a refém
Veja bem, veja bem
E quem lucra com quem
O sistema machista quer nos proibir
Com um papo furado
Mas se homem engravidasse
Já seria legalizado
“E se” já não cabe mais aqui
Já aconteceu, é hora de decidir
Mas de quem é a decisão?
O corpo é meu, não diga que não
O Estado aplica uma punição
Laico e obedece uma religião
Veja só que contradição
Liberdade rapidamente é prisão
Então deixe-me escolher
Não me obrigue a ceder
Não é só questão de ser
É uma questão de querer
Não é só questão de ter
É uma questão de poder
Muito fácil de entender
Não me obrigue a ceder
E aí, qual vai ser?”

Por Ana Cláudia Delajustine
Imagem destacada: daqui

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