Ainda sobre aquele domingo…

Se o debate na votação para a abertura do processo de impedimento de Dilma Rousseff, que aconteceu no domingo 17/04/2016 fosse estético, eu diria que todos os parlamentares que dedicaram seus votos ao núcleo familiar e/ou ao mundo divino são cafonas. Mas sendo do âmbito político (embora a estética faça parte dele), penso que as falas demostraram desconhecimento do significado do cargo e do lugar público que eles ocupam. Ignorância essa que, por si só, é grave e se desdobra na comprovação deles serem os mais conservadores das últimas décadas.

Também poderia perguntar: por que diabos os congressistas passaram quase 6h em pé, gritando e festejando ao longo de uma reunião que deveria ser a mais séria, organizada e centrada de todas?

Pensando no fato de que votos que deveriam ser analisados com estudos e pareceres técnicos tenham sido substituídos por motivos familiares ou divinos, a pergunta, por si, torna-se inócua. E ao pensar sobre quem conduzia os procedimentos, só posso entender que aquele estilo futebolístico também era estratégico.

Podemos dizer que Eduardo Cunha é mau, egoísta, perverso e corrupto. Mas não poderemos jamais dizer que ele é burro. Não. Isso não. Ele é inteligente. E, na verdade, quase um gênio quando comparado com aqueles que se regozijaram em representar ideias conservadoras de família e de deus em seus cinco segundos de fama.

Tudo anda tão esvaziado e superficial que revistas, jornais, papo de bar e/ou de Facebook passaram a ser suficientes para criar analistas políticos. Contudo, gente séria que estuda a área sabe muito bem que nada do que aconteceu domingo foi brincadeira. As consequências, parecem, ultrapassarão o umbigo familiar e se espalharão sobre os futuros exercícios cívicos e constitucionais que deixarão constrangidos até o risível congresso paraguaio.

Os memes, músicas e vídeos são ótimos. Eu mesma morro de rir e me divirto com as brincadeiras derivadas desses parlamentares, mas não consigo esquecer que política é tema sério, feito para ser estudado e não ridicularizado numa espécie de “Domingão do Cunhão” ou “Xou dos baixinhos” que se registrou na História.

Sigamos atentos… porque precisamos estudar mais… muito mais.

Por Elizângela Carrijo
Imagem destacada: daqui

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