Caça às bruxas

“A imagem da bruxa, ao longo da história, é a manifestação máxima do medo e do ódio direcionado a mulheres que ousam existir de formas autônomas”Joanna Burigo para Carta Capital

Já é de amplo conhecimento que no dia 07/11/2017 um pequeno grupos com 70 fundamentalistas do reacionarismo, liderados por Alexandre Frota (o que parece piada, e seria, caso não fosse verdade), ateou fogo a uma boneca vestida de bruxa com o rosto da filósofa estadunidense Judith Butler (que eles chamam de “idealizadora da nefasta ideologia de gênero“), em São Paulo, em protesto contra sua fala no colóquio Os fins da democracia, que aconteceu no SESC-Pompéia.

Foto: Carta Capital

A jornalista, doutora em Ciências Sociais e professora do programa de Pós-graduação em Estudos Interdisciplinas sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da UFBA, Maíra Kubik Mano, escreveu sobre o dia providenciando uma necessária contextualização histórica da prática a partir da obra Calibã e a bruxa, de Silvia Federici. Ela conta:

“Problematizar o patriarcado e as relações de desigualdade sempre causou reações de pessoas que não estão dispostas a respeitar a existência de outras pessoas e querem se fazer impor pela força. Um dos exemplos disto (…) é que na Idade Média houve uma deliberada política sexual fragmentadora das mulheres até então organizadas em grupos e comunidades. Essa política foi materializada por meio de estupros coletivos, institucionalização da prostituição e da caça às “bruxas” – e espalhou-se mundo afora com a violência do colonialismo. Essa misoginia, que nesse momento foi inculcada, gravada no espírito e nas estruturas do sistema, atravessou os tempos”.

A simbologia da bruxa, desde a idade média até 2017, já mudou muito. E se usamos o signo bruxas para descrever mulheres que ousam viver de formas autônomas, por que insistir que isso seja negativo? Do nosso ponto de vista, não há nada mais revolucionário do que uma bruxa, então cabe a nós subverter o significado negativo deste símbolo. Por sorte, não somos as primeiras a fazer isso — a bem da verdade, há muitos registros da ressignificação do termo bruxa, para algo se não calcado na realidade, ao menos muito mais fabulous. Como prova o festival de gifs que compartilhamos abaixo. De nada.

Viva as bruxas!

Começamos com Angelica Huston em Convenção das Bruxas, filme de 1990.

Seguimos com outra favorita da Casa, Angelina Jolie em Malévola, de 2014.

E como não amar Marie Laveau, interpretada por Angela Basset em American Horror Story – Coven?

Um beijo para as simpáticas bruxinhas interpretadas por Kathy Najimi, Bette Midler e Sarah Jessica-Parker em Abracadabra!

E outro para as bruxas mais anos 90 que você respeita, Neve Campbell, Fairuza Ball, Robin Tunney e Rachel True, de Jovens Bruxas.

O diário é dos vampiros, mas é a bruxa Bonnie Bennet (interpretada por Kat Graham) quem rouba as cenas de Vampire Diaries.

E a gente tem muito amor por esse look da Feiticeira do Castelo de Grayskull, da série animada He-Man.

Sem falar nela, a única, a sensacional, a inspiradora Hermione, de Harry Potter. Viva Emma Watson, essa bruxa feminista da vida real!

De novo no clima de American Horror Story – Coven, dessa vez com a preciosa Queenie, interpretada por Gabourey Sidibe.

E que tal esse festival de cabelo para bater, cortesia de Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer e — a diva das divas — Cher, em As Bruxas de Eastwick?

Esta lista não poderia estar completa sem ela. Menos patos e mais Maga Patalógica, por favor!

E não poderíamos esquecer de Willow Rosenberg, a bruxa interpretada por Alyson Hannigan que ajuda Buffy a caçar vampiros.

Tampouco de Apolla (Tamera Mowry-Housley) e Artemis (Tia Mowry-Hardrict), As Bruxinhas Gêmeas do Disney Channel.

A década de 90 adorava uma bruxa, então não poderíamos deixar de fora a série Charmed (confusamente, também chamada de Jovens Bruxas no Brasil). Holly Marie Combs, Shannen Doherty e Alyssa Milano, me abanem!

Mais uma animação? Que tal essa, de A Feiticeira, lá da década de 60?

E o coração bate forte com a clarividência de Nan, interpretada por Jamie Brewer em American Horror Story – Coven.

É bruxa que não acaba mais.

E o jargão feminista que diz que somos as netas das bruxas que não conseguiram queimar segue firme e forte. Somos mesmo. E se tentarem nos queimar, vamos nos inspirar na ma-ra-vi-lho-sa Myrtle, de American Horror Story – Coven, que que não partiu desse mundo incinerada na fogueira sem antes declarar sua fabulosidade. Balenciaaaaaagaaaaaaaaaaaa!

Viva as mulheres!

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