Estupro: dados e culpabilização da vítima

A morte de quem foi violentada

É impossível um homem entender o que é o estupro. Talvez seja por isso que ainda lemos tantas bobagens nas redes sociais.

De acordo com a Secretaria de Segurança de São Paulo, no período de 2005 a 2012 houve um crescimento de 230% de casos no Estado. DUZENTOS E TRINTA PORCENTO!!!! Vale lembrar que esses dados são os que acabaram de alguma forma sendo comunicados ou denunciados… Sabemos que o número é muito maior, pois aproximadamente 50% dos crimes NÃO SÃO levados à Delegacia, principalmente por vergonha da vítima em relatar o fato.

O 9º anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou que o Brasil registra UM caso a cada 11 MINUTOS!!! Roraima é o Estado com mais registros e o Espírito Santo é onde a incidência é a menor.

Enfim, eu não decidi escrever esse texto para falar o que os jornais já falam… Eu vim contar o que algumas pessoas jamais entenderam: o estupro é ETERNO.

Em um determinado momento da minha vida, fiz um curso de leader training fora de São Paulo. Nessa ocasião, dividi meu quarto com uma moça muito bonita, de cabelos longos e super simpática. Confiante, corpo bonito, cabelos cacheados… Uma executiva de sucesso, eu diria.

Entre as diversas conversas que tivemos, ela me contou que estava tentando superar o trauma do estupro. Eu JAMAIS imaginaria que ela havia passado por isso. Ela parecia uma pessoa super bem resolvida!

Com o passar dos dias, percebi que não era bem assim. O trauma não se apaga. O estupro mexe com a sua vida para sempre. Ela me disse que por muito tempo não conseguia se relacionar com homem nenhum. Ela contou que mulheres estupradas sentem vergonha, medo, nojo e muitas outras coisas que dão vontade de chorar. Aliás, segundo ela, “lembrar” dá vontade de chorar.

Não sei se vocês sabem, mas 70% dos casos de estupro acontecem no ambiente FAMILIAR. São pais, tios, irmãos, padrastos… Nesses casos, não tem como fugir! NÃO AMIGUINHOS, NÃO TEM! Muitas são menores… Muitas NEM SABEM o que está acontecendo.

Em 2012 o Instituto de Segurança Pública (ISP) do governo do Rio de Janeiro divulgou que 70,9% dos estupros ocorrem no ambiente doméstico, 11,6% nas ruas e 17,5% em outros lugares. De acordo com os dados publicados, 37,3% das mulheres estupradas eram brancas e 54,4% eram pardas ou negras. Com relação às idades, 24,1% tinham entre 0 e 9 anos, enquanto 29,5% estavam na faixa entre 10 e 14 anos.

É óbvio que cada pessoa digere o estupro de maneira diferente, entretanto, são comuns: pesadelos, dificuldades sexuais, distúrbios do sono, perda da autoestima, sentimentos de despersonalização, ansiedade, depressão, aversão a multidões ou pessoas em volta, problemas em ficar sozinha, síndrome do pânico, medo constante e o pior: MUITAS ACREDITAM QUE POSSUEM ALGUM TIPO DE CULPA.

Não há palavras para explicar o que o estupro é para uma mulher. Eu diria que é morrer um pouquinho por dentro. Nesse sentido, ler alguns comentários de amigos dizendo que esse tipo de discussão é coisa de feminista dá uma dorzinha no coração… Não façam com que elas se sintam ainda piores… ELAS NÃO TÊM CULPA!!! ELAS NÃO TÊM!

Por Gabi Petkovic
Imagem destacada: daqui

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