Gentes, é sério, o mundo necessita de relações honestas. Eu também!

Hoje venho aqui pra dizer, não, pra gritar, pra zurrar, pra expelir, pra vomitar: eu quero relações sinceras! Sim as quero, necessito delas.

Quero cumprimentar, pela manhã, a síndica do meu prédio com vero sorriso e almejo que em resposta ela me retribua o que lhe passei, ou não, se assim o for. Seguindo: ao me debruçar ao balcão da padaria, vou pedir um pão e perguntar se está fresco e preciso que, se o pão estiver adormecido, eu seja informada. E assim, em tudo quero a verdade.

A partir deste dia, sexta-feira, 19 de junho de 2015, preciso saber o que o real mundo que me cerca. E com a verdade das coisas, poder decidir o que fazer. Em todas as situações. Simples assim.

Ao ter um amigo preciso que, sem que me fira os sentimentos, porquê, caríssimxs, sinceridade e crueldade são coisas distintas e distantes, eu possa confiar no conselho, na opinião de quem eu acredito dedicar-me amizade.

Ah, e nos relacionamentos que envolvem amor, eu necessito entender os processos. Por favor, mundo, vamos parar de jogar com o coração de outrem. Tá, cabô gracinha. Chega! Parou! Não tem mais dessa de querer-te? Quero. Querer-te? Sei não. Ou quer ou não. E se a dúvida permeia nossos sentimentos, sejamos claros. Dúvida é coisa comum, simples, fácil de resolver. O tempo tá aí pra isso.

Sejamos honestos. Honestidade é uma dádiva. Admirável neste mundo de deturpações, onde o não dizer facilita a vida do covarde, o não fazer acomoda o meia-boca e a dissimulação infere num bem viver muito aquém de respirar. E isso é tão triste. Ninguém merece viver das migalhas sentimentais do outro.

Almejamos, e o digo por nós, pois vejo e ouço um mundaréu de gente implorando por plenitude no relacionar-se. Eu compreendo. E compartilho do mesmo anseio. Não devemos mais, por carência, solidão ou platonicidade nos contentar com pedaços de gente – sem referência à antropofagia hehehehe.

Vamos, sim, olhar lá dentro do ser que somos e enxergar o quanto somos dignos e merecedores de algo bonito, leve, real e palpável. E merecemos, sim, o cuidado, o jeito, o toque, a palavra certa, o olhar… Tudo isso num âmbito real, verdadeiro. Sem máscaras ou reações furtivas.

Ouquêi, entendo que isso diminui drasticamente nossa chance de nos relacionarmos com outras pessoas. Mas daí, penso eu, estamos no lucro. O mundo tá cheim de corações machucados, desiludidos, desesperançosos. Gente que por tanta adaga cravada no peito, tanta memória dolorosa, deixa de ser o que é e se torna coisa. Não nos coisifiquemos, então. Aprendamos a conviver conosco, a nos amar tanto e tanto, e assim o espectro sangrento e vingativo vai se esvaindo pelo caminhar. Feridas cicatrizam.

E, chamem-me sonhadora ou sem noção, aliás, chamem-me do que quiserem – dentro do meu novo sistema é permitido -, mas eu vou esperar por olhos e bocas que retratem por mim sentimentos nítidos, corpo que queira estar colado ao meu por prazer e verdade, mesmo que no momento do estar, e, principalmente, vou esperar por gente que me aceite com todos meus defeitos de fábrica, meu riso alto, meu natural tagarelar, meu modo de vestir-me com roupas rasgadas que me assemelham, por vezes, ao mais cheiroso mendigo que perambula pela urbe. Enquanto isso não acontece, sigo acordando cedo, descendo as escadas, cumprimentando a síndica, pedindo o pão fresco na padaria e crendo que um dia, ao abrir a sacola, tirarei um pão quentinho.

 


Texto: Sandra Cecília Peradeles

Foto: FEMMA Registros Fotográficos

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