Hillary, Victoria e outras candidatas à presidência dos EUA

A nomeação de Hillary Clinton anunciada no dia 26 de julho de 2016 na convenção do Partido Democrata foi recebida com alegria pelo movimento Mais Mulheres no Direito já que, finalmente, uma mulher tem reais chances de chegar à Presidência dos Estados Unidos.

Hillary, porém, não é a pioneira quando o assunto são eleições presidenciais americanas. Antes dela, cinco mulheres concorreram ao cargo de Comandder-in-chief: Gracie Allen, pelo Surprise Party, em 1940. Em 1972, Shirley Chrisholm, pelo Partido Democrata, Linda Jennness, pelo Partido Socialista dos Trabalhadores e, em 2012, Jill Stein, pelo Partido Verde.

Mas a primeira mulher a se candidatar realizou tal feito quando mulheres votarem nos EEUU era proibido.

Victoria Claflin Woodhull foi uma proeminente militante dos direitos das mulheres. Grande oradora, também foi uma das primeiras corretoras de ações da bolsa e a primeira mulher a concorrer à Presidência da República dos Estados Unidos.

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Nascida em 1838, em Homer (Ohio), ela era conhecida ainda por seus dons de clarividência e seus palpites foram importantes para aumentar a renda familiar, então pobre.

Aos 14 anos, casou-se com Canning Woodhull em 1853. Se divorciou onze anos depois e, do matrimônio, teve um filho. Ao casar-se com James Harvey Blood dois anos após seu divórcio, mudou para Nova York, aonde se tornou uma espécie de conselheira espiritual da tradicional família Vanderbilt.

O contato com os magnatas facilitou suas operações na bolsa, onde ela e sua irmã, Tennessee Caflin prosperaram a ponto de abrir sua própria operadora em 1870, mesmo ano em que lançaram o jornal Woodhull and Caflin´s Weekly cujas pautas promoviam o direito dos trabalhadores e o sufrágio universal.

Em 1872, Victoria se tornou a primeira candidata à Presidência americana pelo Equal Right Party

Em 1872, Victoria se tornou a primeira candidata à Presidência americana pelo Equal Right Party (Partido dos Direitos Iguais) com apoio das mulheres sufragistas, das socialistas e outros setores da sociedade. Entretanto, por acreditar no amor livre, foi perseguida por seus adversários políticos, o que lhe valeu um processo por adultério. A noite de 5 de novembro de 1972, data do pleito americano, ela passou na cadeia. Ganhou o republicano Ulysses S. Grant. Nenhum voto para Woodhull foi formalmente registrado.

Após se divorciar do segundo marido, se mudou para Londres com a família. Foi lá que morreu em 1927. Até o fim da vida, Victoria lutou pelos direitos das mulheres.

“The Great Political Issue- Or Constitutional Equality” (“O Maior Problema da Política ou Equidade Constitucional” em tradução livre), um dos discursos de Victoria Woodhull e de onde extraímos a frase deste post (página 29), pode ser lido em inglês neste link.

Para que a história de Victoria se torne uma verdadeira vitória para as mulheres ao proporcionar o reconhecimento histórico, compartilhe este post em suas redes. Marque suas amigas e seus amigos. Comente. Passe adiante.

Usando as palavras da própria candidata pioneira, “a opinião pública é contra a igualdade por puro e simples preconceito, o que necessita de informação para ser extinto”.

Por Ivy Farias – publicado originalmente na página Mais Mulheres no Direito e reproduzido aqui com autorização da autora.
Imagem destacada: Hillary Clinton HQ.

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