Homens, querem tratar melhor as mulheres? Eis uma lista para começar.

A lista (traduzida abaixo) é útil apesar de que o fato de ela precisar existir seja deprimente. Que essas “dicas” precisem ser dadas assim dessa forma tão (choque!) paternalista, e que este tenha sido um dos textos mais lidos de 2017 no Guardian, só reforça nossas suspeitas (expressão que também pode ser lida como “a certeza do feminismo”) de que (1) falta muita, mas muita escuta por parte dos homens, e (2) exercitar a alteridade só é possível mesmo quando o cidadão investiga honestamente suas próprias tendências narcísicas. Avante, até porque ir adiante é o que podemos fazer.

Texto de Nicole Silverberg, originalmente publicado em inglês no jornal britânico The Guardian em 16/10/2017. Imagem destacada: versão P&B da imagem usada na matéria original. (Alamy Stock Photo)

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Ei homens, o que vocês estão planejando fazer melhor? Porque vocês precisam fazer melhor. Aqui vão algumas ideias de como tratar mulheres melhor.

Fale com aquele seu amigo que é “meio escroto” no trabalho

Não interrompa mulheres quando elas estiverem falando.

Se te convidarem para participar de um painel/time e você perceber que ali só há homens, diga alguma coisa. Talvez até recuse o convite!

Quando você notar que um cara está interrompendo uma mulher, diga: “Ei, ela estava dizendo algo.”

Aprenda a ler uma porra de um espaço

Não chame mulheres de “loucas” num ambiente profissional

Não use seu “feminismo” para fazer com que mulheres confiem em você. Demonstre isso no seu dia-a-dia, não nos seus posts auto-apreciativos de redes sociais

Não toque em mulheres que você não conhece, e sinceramente, pergunte-se porque você sente necessidade de tocar essas mulheres.

Você sente que uma mulher te deve alguma coisa? Ela não te deve. Mesmo que você pense, “Hm, mas e respeito básico?”, pergunte-se se você oferece o mesmo.

Não mande fotos de seu pênis a não ser que ela tenha pedido.

Se uma mulher diz não para um encontro, não a pergunte novamente.

Se uma mulher não deu um “sim” entusiasmado para o sexo, sai fora.

Se uma mulher estiver realmente bêbada, ela não pode te dar consentimento e ela tampouco pode dar consentimento para seu amigão que parece estar tentando alguma coisa. Seu amigão é sua responsabilidade, então diga algo e intervenha.

Se você fizer a coisa certa, não espere elogios ou pagamento ou tapinha as costas ou sequer um “obrigada” daquela mulher. Parabéns, você é minimamente decente.

Envolva mulheres em seus projetos criativos, e admita que elas têm igual parcela de responsabilidade e sucesso por eles.

Não faça piadas misóginas.

Não espere que mulheres sejam “queridas” ou “fofas” e não se chateie quando elas não são essas coisas.

Não presuma nada sobre a inteligência, habilidade ou desejos de uma mulher baseado no que ela veste.

Pague mulheres o mesmo tanto que você paga homens.

Se uma mulher diz que você cagou o pé e você se sente mal por causa disso, não coloque naquela mulher a responsabilidade por te fazer sentir melhor. Peça desculpas e vaze.

Não puna mulheres por serem testemunhas de sua vulnerabilidade.

Não entre na defensiva quando apontarem seus podres.

Não precisa, literalmente, presenciar um homem sendo horrível para acreditar que ele é horrível. Confie e acredite nas mulheres.

Não use seu poder para conseguir a atenção/companhia/sexo etc. de uma mulher.

Esteja consciente de seus próprios poder e privilégio e os use para proteger mulheres, especialmente falando com outros homens.

Pare de pensar que porque você também é marginalizado ou um sobrevivente você está impossibilitado de oprimir ou infligir dor nas mulheres.

Se a dor das mulheres te faz sentir dor, não ponha sua dor acima da delas, nem faça de sua dor problema delas.

Não leia uma lista e pense que a maioria dos itens não se aplica a você.

(Estes itens também se aplicam para tratar melhor as pessoas trans e não-binárias, que estão em ainda mais perigo do que as mulheres.)

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