Mulheres negras no legislativo

Eu vou votar em mulheres negras de esquerda para o legislativo, mas esse post não é só sobre isso.

Também é sobre a necessidade de todo mundo entender como funciona a eleição de deputadas e deputados. E já adianto que dá trabalho. Mas vale a pena, porque escolher bem quem vai estar no Congresso pelos próximos quatro anos é das coisas mais importantes que tu vai fazer em 2018.

Talvez tão importante quanto votar #elenão.

Por isso resolvi dividir aqui coisas que eu acho que todo mundo precisa compreender para votar sabendo o que está fazendo. E também vou compartilhar conteúdos enxutos, mas que dão conta de explicar razoavelmente cada uma dessas coisas.

Vamos lá.

1) Deputadas e deputados são eleitos pelo SISTEMA PROPORCIONAL COM LISTA ABERTA.

Esse vídeo do Nexo, apesar de só ter bonequinhos homens brancos de terno marrom ocupando os cargos, é bem didático e dá uma ajuda.

2) No nosso sistema eleitoral, os partidos podem firmar uma aliança com outros partidos para a eleição legislativa e outra diferente para a majoritária.

Então tem que se ligar nas COLIGAÇÕES PROPORCIONAIS. (A partir de 2020, elas não serão mais permitidas no Brasil, mas como ainda valem, vamos entender). Isso significa que hoje tu pode votar em uma deputada do partido A e acabar elegendo um deputado do partido B, porque é o bolo de votos da coligação que vai definir o número das suas vagas parlamentares. Para não comer Whiskas achando que é patê, dá uma ouvida nesse Politiquês.

 

3) As COLIGAÇÕES VARIAM de estado para estado, cidade para cidade e cargo para cargo.

Então também tem que se ligar nas alianças individualmente: estadual e federal. Sorte a nossa que um rapaz, que deveria ganhar o Prêmio Nobel da Listas, listou todas as coligações de todo o Brasil.

4) Uma novidade na eleição do legislativo: agora uma candidata ou um candidato precisa atingir um MÍNIMO DE VOTOS PRA SE ELEGER (10% do quociente eleitoral).

Se isso não acontece, a vaga conquistada pelo partido é perdida. Então me parece mais interessante votar na pessoa, do que na legenda. Esse texto no El País explica melhor por quê.

Tá, esse é o basicão para entender o Sistema Eleitoral brasileiro.

Mas a gente ainda tem que escolher entre 853 deputadas e deputados estaduais e 422 federais que concorrem no RS.

E eu torço muito para que todo mundo vote em mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBT+.

Já pensou um Congresso com uma maioria assim? Se esses grupos somados formam a maioria da nossa população, nada mais justo que sejam maioria na política.

Se tu concorda, esse site que mapeou todas as candidatas mulheres do Brasil é uma mão na roda. E dá para filtrar por partido e por raça. Infelizmente não encontrei nenhuma ferramenta parecida para candidaturas LGBT+. Se alguém conhecer, manda.

Mas e as tuas candidatas, Jajá? Ainda tô decidindo entre a Iyá Sandrali 13737 e a Alice Carvalho 50777 para estadual, e a Karen Santos 5055 e a Carlinha Zanella – 5077  para federal. São elas que têm agendas mais sintonizadas com minhas prioridades eleitorais para o legislativo: feministas, anti-racistas e voltadas para as juventudes das periferias.

Mas cheguei nisso primeiro encontrando todas as candidatas negras de esquerda pelo mapa que indiquei ali em cima e depois estudando cada uma. Fiz até um quadrinho com todas elas (imagem destacada), que compartilho no primeiro comentário para quem quiser colar. (Alguns partidos com os quais eu simpatizo, tipo o PV, ficaram de fora por conta das coligações com legendas conservadoras.)

Bom, é isso. Parece tudo meio confuso, complexo e complicado, porque é mesmo.

Mas, mais do que nunca, é preciso estar atenta e forte. E lembrar que o Congresso e a Assembleia podem ajudar ou podem ferrar com a vida dos governantes.

Última coisa antes de terminar, esse post também é sobre: quem matou Marielle?

Por Jajá Menegotto
Imagem TSE em montagem concedida pela autora

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