O lampejo feminista – compilação

Inspiradas pelo post da Ana Emília (que foi reproduzido hoje na Zero Hora como parte da campanha #AgoraÉQueSãoElas, viva!), outras colaboradoras e leitoras da Casa da Mãe Joanna enviaram relatos do #LampejoFeminista que mudou as suas vidas. Neste post, compilaremos as histórias que vocês estão nos mandando.

 

Essa é a história da Bianca:

Não é bem meu lampejo, mas me lembro bem de uma cena que me marcou bastante. Eu tinha uns 17 anos – de calça larga, samba-canção aparecendo e blusa curtinha no shopping com minha família. Enquanto minha mãe olhava vitrines meu pai, descontraído, me perguntou: “porque você é assim?”, no que respondi “porque não sou um pedaço de carne no açougue para ficar sendo olhada”.

Hoje sei que independe da roupa, mas mesmo naquela época eu já ficava bem irritada com o assédio e minha vibe era provocar, ser diferente, incomodar.

E tamo aí pra quebrar estereótipos conscientemente desde os 11 anos (quando comecei a fazer capoeira com outros 3 meninos do prédio em que eu morava e todo mundo achando que eu seria a primeira a parar, adivinha quem pegou até a 3a graduação?): no meio de tecnologia, esporte, empreendedorismo e chocando a sociedady! Hahaha xD

E a Gisele nos contou:

Sou engenheira mecânica e trabalho na indústria de petróleo. Quando conheci meu marido, ele perguntou se eu já tinha sofrido algum tipo de violência por ser mulher nessa indústria. Eu disse a ele que não, de forma alguma, porque eu havia aprendido a franzir a testa, dar socos na mesa e impostar a voz. Marido então me perguntou se eu não achava que ter que assumir um outro papel para ser respeitada era um tipo de violência. Foi aí que minha ficha caiu.

A Thainá, que já escreveu por aqui, adiciona:

Quando criança carregava bandeiras nas costas enquanto meus pais saiam para lutar por direitos nas ruas de uma pequena cidade no interior do estado. Sou comunista antes de me descobrir feminista. Há 9 anos decidi parar de comer carne, decidi parar de fazer parte de um sistema que justifica a morte de animais e a exploração dos trabalhadores. Sou vegetariana antes de me descobrir feminista. Mas como pensar num mundo que liberte as trabalhadoras da exploração capitalista, como pensar que há um animal e trabalhadores também sendo explorados e não pensar que a relação do capitalismo com os animais e as mulheres da classe trabalhadora é a mesma visto que esse sistema justifica a morte de um animal para comer carne da mesma maneira que justifica a violação de direitos que acontecem com as mulheres? Decidi nunca mais justificar nem um e nem outro. Por tudo isso eu também sou feminista. #lampejofeminista

Quando foi que você se deu conta de que era #feminista? Conta pra gente!

 

Comments

Comentários