Oito de março, história de luta

O dia 08 de março é uma data marcada para pensar a história de luta, servindo como dia para discutir o papel das mulheres na sociedade atual.

É uma data histórica, escolhida pelo marco de mulheres que, no passado, deram impulso a participação política, social e econômica de suas sucessoras.

Para compreender a importância dessa data, pensando ela além de ser um dia de comemoração, é preciso resgatar a história que a acompanha.

No âmbito mundial, os fatos que levaram a escolha desse dia simbólico remetem a um passado de luta que tem origem ainda no final do Século XIX, juntamente com a ascensão da industrialização.

Naquele período, o movimento sindical se manifestava e unia esforços contra a exploração dos operários e operárias, entretanto, quando o pedido era por igualdade salário de homens e mulheres, o movimento não demonstrava apoio.

Ainda assim, emergindo junto com a luta sindical, movimentos sociais foram se articulando e resistindo as tentativas de silenciamento, movimentos de mulheres foram crescendo.

E, motivada por este contexto histórico, em 1910, Clara Zetkin, uma deputada alemã que se dedicou a conscientização da condição de opressão vivida por algumas mulheres, propôs durante o II Congresso Internacional da Mulher a escolha de uma data para marcar esse processo de luta, sem definir especificamente qual seria o dia.

Após sua proposição, vários acontecimentos foram se desenhando na memória e um deles foi a greve das trabalhadoras russas no setor de tecelagem em 08 de março de 1917.

Na década de 60, o dia 08 de março voltou a ser usualmente utilizado em alusão às mulheres, até que a ONU o instituiu, em 1975, oficialmente como o dia Dia Internacional da Mulher.

Olhar o passado nos mostra que cada caminho trilhado é motivo de comemoração, uma vez que representa uma pequena parcela de avanço, porém também nos faz perceber que é preciso seguir lutando.

Para refletir um pouco é indispensável lembrar que vencemos a busca pelo voto, mas ainda somos minoria nos cargos políticos brasileiros. A título de exemplo, somos aproximadamente 15% nas câmaras municipais e menos 11% do Congresso Nacional. Em que pese às mulheres representarem mais da metade da população brasileira.

Outro ponto é que conseguimos uma lei que nos protege de violências, a conhecida Lei Maria da Penha, mas nosso país somou, em 2016, 12 assassinatos de mulheres e 135 estupros por dia, sem contar todas as violências que são silenciadas antes de buscar ajuda.

Também rompemos a barreira do acesso à educação e, de proibidas a frequentar escolas, fomos até maioria no ingresso e na conclusão de cursos superiores. Mas o mercado de trabalho parece não acompanhar esse progresso, pois continuamos recebendo 23,6% a menos do que os homens.

Outro detalhe é que trabalhamos, em média, 7,5 horas a mais que os homens, principalmente devido à carga de trabalho que nos é imposta no ambiente doméstico.

Essas dicotomias podem levar as mulheres a desacreditarem em um amanhã melhor, mas, mulher, levante e acredite que existem motivos para continuar a batalha, com a certeza de que a persistência muda o mundo.

Por Aline Fernandes Marques
Mestranda em Direitos Humanos e Sociedade no Programa de Pós Graduação em Direito da Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina (UNESC) e advogada na. Pesquisadora na área de gênero, criminologia e direito penal.
Imagem destacada: #8M de 2018 na Espanha
Referências

  1. 8 DE MARÇO: 8 DE MARÇO: CONQUISTAS E CONTROVÉRSIAS, EVA ALTERMAN BLAY
  2. IBGE – Estatísticas de Gênero – Indicadores sociais das mulheres no Brasil
  3. IPEA – Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça
  4. Mulheres são maioria no ingresso e na conclusão de cursos superiores
  5. MAPA DA VIOLÊNCIA 2015 – HOMICÍDIO DE MULHERES NO BRASIL

 

 

 

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