Uma carta de amor ao feminismo

Tem um tempo que venho pensando em escrever um breve agradecimento ao feminismo, mas não poderia fazê-lo sem contextualizar com um pouco da minha história pessoal. Por receio de ser julgada acabava sempre desistindo de escrever, mas com um texto que li sobre o incômodo das minas brancas com o feminismo, resolvi enfim escrever.

Eu já fui uma das incomodadas com o feminismo, e muito.

Sou branca, classe média, escola particular, curso superior… Cresci numa família racista e machista. Ouvi e reproduzi muito destas duas coisas. Demorei a cair na real, assumo. O que acontecia é que no fundo, a minha intuição sempre me dizia “isso não está certo”, mas isso infelizmente não era o suficiente para eu sair daquele papel.

Eu estava na zona de conforto, parada, reproduzindo preconceitos, fazendo parte da turminha do “o mundo está muito chato” (shame on me). Eu ODIAVA as feministas, achava over, moda, clichê (sim, EU achando as feministas clichês). Me incomodava pra caramba ver alguém lutar contra aquilo tudo que a minha tímida intuição dizia que estava errado. Estava acontecendo uma luta interna. Eu queria continuar na zona de conforto, e uma parte de mim cada vez mais forte queria chutar o pau da barraca junto com as minas, que eu tanto julgava.

Saí da casa dos pais, o que me fez muito bem. Por um presente da vida me relacionei com pessoas incríveis, as quais me mostraram uma outra forma de olhar a vida e as lutas, e foi lindo. Os preconceitos de cada dia já não faziam mais sentido, o machismo então, puf: esse foi varrido das minhas práticas.

Romper com uma vida de preconceitos não é fácil, a gente sofre, a gente passa a sentir uma repulsa por pessoas que costumávamos gostar. Tudo muda!

Meu processo foi muito semelhante a um luto. Eu enterrei antigas práticas, enterrei algumas pessoas (inevitável) sofri, juntei os cacos, superei e me senti nova, forte, bem acompanhada!

Hoje eu amo esse movimento, acho lindo o empoderamento e o apoio que rola. Só tenho a agradecer! O feminismo mudou a minha vida. Sinto-me parte do feminismo, e sinto estar no caminho certo!

Obrigada feministas, obrigada feminismo, obrigada Casa da Mãe Joanna!

 

Por Van Machado
Imagem destacada: daqui

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