E o amor próprio, como reabilita?

Passei por algumas decepções (desde amorosas à profissionais) nas últimas semanas. Já havia passado, só que não na mesma intensidade. Assim me disse o meu medidor de intensidade de decepções, porque na hora da dor a gente tem sempre um medidor de intensidade de desilusões ativado, e é como se aquela decepção que estamos passando ou pressentimos que iremos passar será a mais forte, a mais destruidora de viagens, sonhos, mente e corpo. A mais.

E quando este medidor estiver ativado devemos sempre ficar atentxs, pois algo de muito louco realmente está nos acontecendo (ou não, pode ser que seja só uma questão de ótica). Seja como for uma coisa é certa: o nosso amor próprio está desabilitado.

Mas, Soraya, o que diabos é este lance de amor próprio? E como o reabilita?

Miga, é quando o Eu vem na frente do “Eu te amo”. Quando o Eu basta. Quando você ama cada parte do seu corpo e não começa a se culpar pelo que os outrxs pensam ou irão pensar sobre este conglomerado de células. Quando você lê um livro porque teu músculo cardíaco pediu e te obrigou a dizer não às rotinas acadêmicas de ler artigos e pensamentos que talvez tu nunca utilizarás porque só tu sabes o que realmente é bom pra tua alma. É quando a solidão não é sua tristeza, mas um encontro vez ou outra com o que você tem de mais precioso: “ T(eu)”.

e-o-amor-proprio-como-reabilitaDisponível em facebook.com/poesiacompilada/

Amor próprio é ser mais difícil. É não se relacionar com qualquer um, porque só tu sabes o quanto teus sentimentos são e até onde eles vão. Mesmo que ter amor próprio implique em perder algumas coisas ou pessoas, ele é interessante. Tenho pensado que se estas coisas ou pessoas realmente fossem necessárias para a nossa vida, elas não teriam nos deixado, nos abandonados quando julgamos que mais precisávamos e elas nem souberam se despedir com o respeito que merecemos e com o qual tínhamos o tratado ao longo de um determinado período.

Converso muito com minha avó e uma coisa que ela me disse tem feito muito sentido neste tempo em que o meu amor próprio esteve desabilitado. Com a palavra, vovó:

“Tem momentos na nossa vida, se não em toda ela, em que o mais importante é que a gente não mude por outra pessoa, porque assim não seremos mais nós, mas sim o outro, e isto pode nos causar dores terríveis porque você não sabe como está o amor próprio daquela pessoa.”

Eu confesso que me deixei de lado, que vivi pra outras cosias e pessoas, que troquei minha playlist e gostos literários por gostos do meu próximo porque jurava eu que isto era amor. Mas não, não era amor. Não era, porque na primeira oportunidade este meu próximo não pensou duas vezes e me abandonou (talvez ele tivesse algo que ainda não consigo entender nem acreditar que seja um amor próprio, mas um destruir o próximo), e se meu amor próprio estivesse mais atento o meu medidor de desilusões não teria sido ativado.

Contudo, após este rebuliço, meu organismo Feminista me colocou no canto da parede e me disse “ Se ame mais, se cuide mais. Tua saúde e teus gostos são mais importantes do que qualquer outra coisa”.

Amor próprio, miga, deve ser conjugado diariamente, é empoderamento, faz com que as coisas do cosmo comecem a conspirar ao nosso favor . Tudo começa a melhorar e dar certo quando amamos em primeira pessoa do singular e é isto que tenho começado a meditar posto que meu mantra tem sido “Eu me amo, Eu me basto”.

Não se culpe se mesmo após conhecer o Feminismo você ainda tenha o medidor de desilusões ativado, afinal, o empoderamento é diário e estamos sujeitxs a passar por estas coisas. Quando o medidor estiver ativado, talvez seja até bom – bom no sentido de te indicar “Ei, sai dessa, tá na hora de você se amar mais”.

Amor próprio incomoda quem ainda não o conheceu, então esteja alerta a isto também. Mas miga. Aprenda a se amar.

Texto originalmente publicado no medium da Soraya Roberta
Técnica em Informática pelo IFRN-Caicó, discente do curso de BSI pela UFRN-Caicó, colaboradora do Mulheres na Computação e idealizadora do Poesia Compilada.

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