Mais um #LampejoFeminista

Meu nome é Jessica e hoje eu quero contar um pouco da minha história e de como o feminismo me libertou!

Tem mais de 1 ano que eu tenho essa vontade, mas a vergonha me travava. Até hoje!

Eu fui criada pela minha mãe sozinha até os 7 anos de idade e minha babá virou minha segunda mãe! Tinha como referência os dois extremos de mulheres, a dona de casa que vivia em prol dos filhos (eu, a filha caçula) e a que trabalhava para sobreviver.

Mesmo com esses parâmetros antagônicos, o discurso era um só: seja independente e não dependa de homem! E foi o que eu fiz!

Trabalhei, estudei, entrei em uma das melhores universidades e quem me conhecia já me chamava de feminista mesmo sem eu entender direito o que aquilo representava. Tinha problemas com meu corpo (sempre permeei entre gorda e gordinha) não estava no padrão e isso me fez ter e fazer coisas mirabolantes. Minha auto estima era super baixa. Com tudo isso eu ainda estava “bem na fita” até que me envolvi em um relacionamento abusivo! Sim…

Mulheres independentes mas com problemas emocionais são ótimas presas pra sedutores misóginos. Inicialmente eu tinha o controle, então estava tudo bem. Até que eu comecei (consciente ou inconscientemente) a me deixar envolver. Os insultos de puta, piranha e vadia já eram normais, e as ameaças, contantes. E incrivelmente eu sempre era a errada da história… Os términos sempre culminavam de supostos erros meus. Já estava no momento em que sentar sem “modos” era motivo de briga. Abaixar de “qualquer jeito” era um convite para que todos os homens olhassem para mim… Humilhações eram a única forma de me deixar “calma” pq eu ficava arrasada!

Não lembro de ter chorado tanto em minha vida quando nesse período. Segurar o rosto com força para que pudesse escuta-lo era um hábito. Apertar meu braço a ponto de ficar roxo também! Nessa altura eu já havia comprado a ideia de que era mesmo uma pessoa ruim e que merecia todo esse “castigo” afinal, quem mais me amaria com tanto afinco? Quem mais percebia entre tantas pessoas o quanto eu estava triste? Tinha que haver algo especial naquela relação.

Um dia (como eu sonhava com isso) ele iria acordar e perceber as injustiças que me fez e me pedir perdão (sim… nunca houve um pedido de desculpas porque u sempre fui a errada e provoquei tudo que aconteceu?) os términos eram mais frequentes. E a moeda de troca para retornar o relacionamento eram exigências sexuais que só beneficiavam a outra parte! Para mim era uma tortura.

Mas estava tão imersa nessa loucura que não enxergava mais nada e sofria calada! Não existia uma única pessoa que soubesse o que eu estava passando. Tinha medo. Vergonha. Tristeza. Estava certa de que um dia tudo mudaria. O brilho que sempre falavam que existia em mim, não existia mais. O entusiasmo havia ido embora. Minha vida se resumia a tentar não errar…

Comecei a ficar paranóica, a ter ataques de pânico. Minha ansiedade crônica (sim, é uma patologia e precisa de tratamento) começou a mostrar seu lado mais perverso. Ele se cansou. Estava com uma mulher psicologicamente, emocionalmente e sexualmente abalada. Tentava cumprir suas exigências sexuais mas era nítido o quanto me doía e isso me fazia perder qualquer libido. Até que fui colocada abaixo das ex. Eu escutei isso!

Enfim… Ele foi embora por vontade própria. E eu agradeco pois não tinha controle emocional para fazer isso! Foi quando eu, arrasada, mais gorda que nunca, com a auto estima abaixo do pré-sal, que eu comecei de verdade a pesquisar sobre o feminismo!

Foi quando eu percebi a estratégia dos misóginos, foi quando eu passei a me amar em primeiro lugar e em segundo lugar! Foi com o feminismo que eu aprendi que não importa quantos kg você tem (estando saudável), não importa se hoje não deu pra passar na depiladora, não importa se está com a roupa da protagonista da nova das 8! Devemos nos amar!

Não somos melhores que os homens, mas não podemos aceitar ser tachadas de piores do que eles. Esse mundo machista que nos faz acreditar que a mulher tem o poder de mudar o homem (culpa das comédias românticas) acaba com vida delas. Somos melhores que isso e não estamos aqui pra mudar ninguém. Muito menos pra vivermos limitadas a regras que nos impõem.

Somos livres!

Pra cortar ou não o cabelo, fazer ou não as unhas, usar ou não vestidos.

Nós feministas não pregamos ódio aos homens, abaixo a feminilidade e muito menos que somos melhores que os homens. Nós, feministas só queremos ter igualdade , e não queremos mais ser troféu de exposição, nem queremos ser adestradas!

Bom.. Acho que já falei demais. Essa é a minha história resumida: uma feminista que, sem perceber, entrou em um relacionamento abusivo mas conseguiu supera-lo e aprender muito com a experiência.

Por Jéssica Alves

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Ana Clara Delajustine

Uma psicóloga feminista em luta por mais afeto. Implica com a linguagem sexista e acaba com a graça em piadas machistas. Vive de amores. É uma multidão e explosão de sentimentos. Inquieta, teimosa e bruxa, tem fé nos encontros do mundo.

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Glenda Varotto

Formada em publicidade e propaganda, 23 Blogueira do site humanista secular Bule Voador.

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Teci Almeida

Roteirista, produtora de conteúdo, mãe e teimosa. Acredita que de tanto insistir ainda conseguiremos fazer desse mundo um lugar melhor.

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Artista, artesã, designer – é o que costumo colocar nos cartões de visita. Ler e acumular livros de variados assuntos são tradições familiares. Já sonhei ser arqueóloga, pensei em cursar História, Filosofia, Sociologia ou Arquitetura, mas acabei escolhendo Artes, onde posso misturar tudo isso. Gosto de viajar pelo mundo, mas sempre volto para casa. Sou curiosa por natureza e tímida que fala pelos cotovelos se tomar muito café ou vinho. Mãe por opção e determinação. Para uns, sou muito certinha e para outros, muito doida. Na verdade, sou um pouco de cada.”

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Camila França

Camila França
Formada em Moda pela Udesc (2005) e pósgraduada pelo SENAC (2009) em Florianópolis, trabalhou por oito anos na indústria da moda como estilista. Em 2013, partiu em busca de qualidade de vida e atualmente dedica quase todo seu tempo ao desenho. Frequenta aulas de Artes Visuais a fim de conhecer e desenvolver sua própria poética. Seus desenhos exploram o universo feminino com técnica mista, grafite, nanquim, aquarela, marcadores e tinta acrílica.

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Thais Mendes

Jornalismo é a formação, produção de moda é o ganha-pão, escrita é a paixão. Radicada em Londres há mais de uma década, estudou no London College of Communication e depois foi trabalhar com um bocado de gente grande, de Adidas à Ivete Sangalo, da TPM à Vice, e gostaria de largar tudo e só escrever. Além de feminista, é progressista, ateísta, e uma porção de *istas* que causam desconforto por onde passa. Mãe de uma garotinha de 4 anos, com quem divide uma paixão por filmes japoneses e contos de fadas subversivos.

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Thaina Battestini Teixeira

Thainá Battesini Teixeira, é gaúcha e tem 23 anos. Está no último ano de graduação em História pela Universidade de Passo Fundo – UPF e é bolsista de iniciação cientifica – CNPq pesquisando as Fontes Visuais Impressas: Possibilidades de Pesquisa: Os papéis sociais atribuídos ao gênero feminino na Revista KodaK. Milita pelo Coletivo Feminista Maria, vem com as outras! e participa da organização da Marcha das Vadias de Passo Fundo no Rio Grande do Sul.

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Sandra Cecília Peradeles
Mina de comunicação – fala, fala, fala.
Formada em jornalismo, é  goiana, vira-lata, caçula de sete e doidinha de amores pela vida.
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Stefanie Cirne

Em 22 anos de Porto Alegre (RS), cursou Comunicação Social sem ter certeza do que estava fazendo – e formou-se jornalista sem destino definido. Felizmente, está se realizando na esquina entre o feminismo e a informação. Escreve para (sobre)viver, aventura-se no audiovisual e é fascinada por todo tipo de linguagem. Aparece regularmente por aqui.

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Patricia Chiela

Gosto de gente, de relações, de vida, de ajudar as pessoas a mostrar o valor do seu negócio, de ver uma empresa ir em frente, ser forte. Tive minha agência de comunicação por quase cinco anos, atuei em áreas de planejamento e também com inovação e gestão de pessoas. Paralelo a isso, como consultora, tive a oportunidade de dar vida para mais de uma dezena de empresas, ajudar tantas outras no processo de reposicionamento e ver surgir diversas campanhas e marcas. Hoje, estou a frente da Patrícia Chiela Estratégia de Marca, que atua para que a comunicação e o marketing ajudem uma empresa a olhar para frente, profissionalizar o negócio, construir o seu valor e prosperar.

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Murilo Mattei

Estou me graduando em ciências sociais pela UFSC, interessado em tudo que possibilita questionar a condição humana e os infinitos problemas derivados do pensar abstrato; consumidor assiduo do incomum, non-sense, trash-cômico e da musica contemporanêa, crio musicas como “vinolimbo”.

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Lucas Rezende Busato
Homem, branco, cis, hétero, reconhecedor do próprio privilégio: FEMINISTA.
Arquiteto e designer por formação, [des]construtor de espaços por ideologia.
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Belle Kurves
Belle Kurves likes to cock a snook at the whole silly patriarchal system.
An explorer, Belle is about to set sail on a voyage of discovery that will be  her toughest expedition yet.  Look out for her dispatches from the frontier as Belle Kurves embarks on a quest to find the “new truth” foreshadowed by Hester Prynne – the key to establishing “the whole relation between man and woman [indeed all genders] on a surer ground of mutual happiness.
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Caroline Rocha

C.rox, cigana vestida de aquariana transitando pelo mundo das artes. Gestora Deusa/Louca/ Feiticeira da Casa de Cultura Vaca Profana em Passo Fundo-RS. Produtora cultural e feminista até o caroço.

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Bruna Kern Graziuso

Advogada especialista em direito público e de família, vegetariana e meia maratonista. Não convida se não tiver vinho. Chora toda vez que vê uma ovelha.

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Beatriz Demboski Burigo

Estou no caminho pra uma graduação em Ciências Sociais, na UFSC em Florianópolis. Gosto muito do ativismo dos movimentos sociais, mas a minha praia mesmo é o backstage e o olhar sociológico sobre tudo. Sou de humanas, mas nem tanto! Amo antropologia, assim como amo falar sobre cultura pop, gênero e feminismo. No momento, pesquiso oficialmente sobre sociologia da educação, que é mais uma de minhas áreas de interesse.

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Ana Paula Ferraz

Uma figura que vai variando entre a curiosidade sobre pessoas e lugares e o interesse por culturas e olhares. Psicóloga, metida com psicanálise, política e sociedade. Poeta de boteco, cervejeira de calçada, cantora de chuveiro. Enfim, mais um mistério do planeta.

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Ana Emilia Cardoso
A meliante Ana Emília Cardoso é uma jornalista curitibana, com passagem por Florianópolis onde esteve detenta em mestrado de Sociologia Política. Por questões de segurança foi transferida para Porto Alegre e está em liberdade condicional. Trabalha com moda e pesquisas, tem 2 filhas, um marido famoso e acredita que pode mudar o mundo empoderando as mulheres.
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Arieli Corrêa

Vestibulanda de letras. Desengonçada com a vida e jeitosa com as palavras. Possui diversos pseudônimos, intencionada a desnudar-se de aparência e travestir sua alma com novas visões de mundo. Queria ser Maria. Descobriu-se feminista há não muito tempo, e tem muito que aprender.

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Manja das 7 melhores da Fem.

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Fernanda Cacenote
Fê Cacenote, fotógrafa amadora (por amor) e profissional (por profissão) no projeto FEMMA Registros Fotográficos. Viajante espacial do mundo das ideias, colaboradora na Casa da Mãe Joanna, Casa de Cultura Vaca Profana, Coletivo Feminista Maria, vem com as outras!.  Vegetariana, amante das coisas que a natureza nos dá e feminista em eterna (des)construção e aprendizado.
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Joanna Burigo

Comunicação social, educação e feminismo – não necessariamente nessa ordem. Já trabalhei em agências, produtoras, departamentos de marketing, escolas, projetos sociais e até no Coliseu (esse mesmo). Tudo isso, em diferentes graus, em Porto Alegre, Florianópolis, Madri, Roma, Dublin e Londres, onde fiz um mestrado em Gênero, Mídia e Cultura pela LSE. Mas eu saí de Criciúma, SC.

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Maitê Weschenfelder

Acadêmica de Jornalismo e amante da fotografia, passeia entre o lírico do cotidiano e o drama de vidas reais. Uma jovem, louca, livre e solta. Sonha com igualdade e justiça social.

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Emanuelle Farezin

Formada em jornalismo e apaixonada por pixels, trabalha com projetos de mídia. Faz do feminismo seu impulso diário.

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