O “grelo duro” e o “pau na mesa”

A expressão “mulheres de grelo duro”, usada pelo ex-presidente Lula em uma ligação grampeada pela polícia, vem causando um furor bizarro.

Algumas mulheres – inclusive feministas – acharam a expressão ofensiva.
Algumas mulheres – inclusive feministas – gostaram da expressão, e se apropriaram dela rapidamente.

Até aí, nada de novo.

Mas algumas pessoas ficaram ultrajadas com a expressão. Misoginia! gritaram. O que foi notório foi que muitas dessas pessoas que de repente se ofenderam com a expressão, até então não pareciam se importar (ou achincalhavam mesmo) o feminismo e as feministas.

Quem tem um mínimo de conhecimento do projeto feminista sabe que temos, por hábito, a apropriação de expressões consideradas misóginas para, então, resignificá-las. Um bom exemplo disso é a “Marcha das Vadias”, cujo objetivo é precisamente limpar qualquer traço de misoginia da palavra “vadia”, com a qual costumeiramente sofremos ofensas machistas.

Muitas feministas que acharam a expressão útil – tanto as que acharam machista a forma como Lula usou a expressão quanto as que não acharam, tanto as que defendem o ex-presidente quanto as que acreditam que a esse ponto ele é indefensável – passaram a se definir como #greloduro. E foram acusadas de… tan tan tan: partidarismo.

“Grelo duro” é uma expressão idiomática, cuja existência precede quem a tornou conhecida nesse momento da história do Brasil. Muitas MULHERES, em especial no nordeste, vêm usando esta expressão como sinônimo de mulher forte, lutadora, guerreira, “arretada e porreta” antes, mas muito antes que ela tenha ficado famosa como o factoide du jour.

Vamos deixar uma coisa elucidada: o que está acontecendo no país é indefensável.

Mas sabe o que também é indefensável? A cegueira de quem atrela qualquer fala a uma potencial defesa partidária.

Alguém acredita ser possível que a utilização de uma expressão por uma pessoa signifique que quem também usa aquela expressão está, e só pode estar, em defesa daquela pessoa?

Parcimônia, capacidade de interpretação de texto e respeito pela pluralidade de pensamento nunca fizeram mal a ninguém.

Palavras, partidos e misoginia

Quando pedimos para pararem de utilizar expressões misóginas contra a presidenta, não significa, necessariamente, que estejamos a favor das políticas dela. Mas significa, inevitavelmente, que estamos contra a misoginia. infelizmente a crítica feminista se perde para muitos, ao ser ignorada ao ser confundida com bandeira política.

Quando nos apropriamos de uma expressão – que pode ser misógina ou não dependendo do contexto – para torná-la um símbolo de resistência, as mesmas pessoas que nos ignoraram quando acusamos a misoginia dirigida à presidenta, mais uma vez, confundem o discurso e acham que estamos defendendo políticos, e não o que estamos defendendo: o uso linguístico de uma parte da nossa anatomia como símbolo de força.

Xingamentos e elogios

“Puta!” e “vagabunda” são xingamentos que vemos ser direcionados frequentemente à mulheres que não tem a simpatia da opinião pública. Para homens, geralmente é “filho da puta”… mas ainda que seja “vagabundo”, o cunho da ofensa não é sexual.

Ofende-se mulheres com palavras de cunho sexual com muita frequência.

Já ser “pica grossa”, ou “botar o pau na mesa” são expressões que denotam coragem, vigor, determinação.

Se “colocar o pau na mesa” pode, se ser “pica grossa” é legal, qual o problema do “grelo duro”?

Palavras têm significados múltiplos, que permitem uma variedade de interpretações.

Feministas apontam que xingamentos à presidenta tendem a ser feitos de forma misógina, e são acusadas de partidarismo. As mesmas feministas explicam porque grelo duro é uma boa expressão, e são acusadas de partidarismo.

A misoginia não é partidária. Ela é. A linguagem não é definida por partidos políticos, mas por pessoas.

E se tem um grupo de mulheres que entende do que é ou não misógino, são as feministas.

Falam, mas não ouvem…

Mais uma vez, neste processo, a fala feminista não é escutada. Antes de atacar, vale escutar nossos argumentos. Preferencialmente considerando que eles existem para aquém e além do caos político nacional. É a melhor forma de começar a entendê-los.

Lutar contra qualquer machismo requer muita força, e se grelo duro pode ser sinônimo de mulher forte, então que tenhamos grelo duro.

 

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Também vale notar que:

1) o grelo fica, mesmo, duro – isso não é fálico, é fato.
2) “ser duro”, “ser durão” são idiomas que expressam “força”
3) assim, o grelo fica mesmo duro, no real (com a excitação sexual) e no simbólico (com a dureza que a força às vezes exige)

Haja grelo – duro ou mole – pra explicar o que não se quer entender…

 

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Ana Clara Delajustine

Uma psicóloga feminista em luta por mais afeto. Implica com a linguagem sexista e acaba com a graça em piadas machistas. Vive de amores. É uma multidão e explosão de sentimentos. Inquieta, teimosa e bruxa, tem fé nos encontros do mundo.

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Glenda Varotto

Formada em publicidade e propaganda, 23 Blogueira do site humanista secular Bule Voador.

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Teci Almeida

Roteirista, produtora de conteúdo, mãe e teimosa. Acredita que de tanto insistir ainda conseguiremos fazer desse mundo um lugar melhor.

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Mônica Seben de Azevedo

Artista, artesã, designer – é o que costumo colocar nos cartões de visita. Ler e acumular livros de variados assuntos são tradições familiares. Já sonhei ser arqueóloga, pensei em cursar História, Filosofia, Sociologia ou Arquitetura, mas acabei escolhendo Artes, onde posso misturar tudo isso. Gosto de viajar pelo mundo, mas sempre volto para casa. Sou curiosa por natureza e tímida que fala pelos cotovelos se tomar muito café ou vinho. Mãe por opção e determinação. Para uns, sou muito certinha e para outros, muito doida. Na verdade, sou um pouco de cada.”

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Camila França

Camila França
Formada em Moda pela Udesc (2005) e pósgraduada pelo SENAC (2009) em Florianópolis, trabalhou por oito anos na indústria da moda como estilista. Em 2013, partiu em busca de qualidade de vida e atualmente dedica quase todo seu tempo ao desenho. Frequenta aulas de Artes Visuais a fim de conhecer e desenvolver sua própria poética. Seus desenhos exploram o universo feminino com técnica mista, grafite, nanquim, aquarela, marcadores e tinta acrílica.

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Thais Mendes

Jornalismo é a formação, produção de moda é o ganha-pão, escrita é a paixão. Radicada em Londres há mais de uma década, estudou no London College of Communication e depois foi trabalhar com um bocado de gente grande, de Adidas à Ivete Sangalo, da TPM à Vice, e gostaria de largar tudo e só escrever. Além de feminista, é progressista, ateísta, e uma porção de *istas* que causam desconforto por onde passa. Mãe de uma garotinha de 4 anos, com quem divide uma paixão por filmes japoneses e contos de fadas subversivos.

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Thaina Battestini Teixeira

Thainá Battesini Teixeira, é gaúcha e tem 23 anos. Está no último ano de graduação em História pela Universidade de Passo Fundo – UPF e é bolsista de iniciação cientifica – CNPq pesquisando as Fontes Visuais Impressas: Possibilidades de Pesquisa: Os papéis sociais atribuídos ao gênero feminino na Revista KodaK. Milita pelo Coletivo Feminista Maria, vem com as outras! e participa da organização da Marcha das Vadias de Passo Fundo no Rio Grande do Sul.

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Em 22 anos de Porto Alegre (RS), cursou Comunicação Social sem ter certeza do que estava fazendo – e formou-se jornalista sem destino definido. Felizmente, está se realizando na esquina entre o feminismo e a informação. Escreve para (sobre)viver, aventura-se no audiovisual e é fascinada por todo tipo de linguagem. Aparece regularmente por aqui.

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Patricia Chiela

Gosto de gente, de relações, de vida, de ajudar as pessoas a mostrar o valor do seu negócio, de ver uma empresa ir em frente, ser forte. Tive minha agência de comunicação por quase cinco anos, atuei em áreas de planejamento e também com inovação e gestão de pessoas. Paralelo a isso, como consultora, tive a oportunidade de dar vida para mais de uma dezena de empresas, ajudar tantas outras no processo de reposicionamento e ver surgir diversas campanhas e marcas. Hoje, estou a frente da Patrícia Chiela Estratégia de Marca, que atua para que a comunicação e o marketing ajudem uma empresa a olhar para frente, profissionalizar o negócio, construir o seu valor e prosperar.

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Murilo Mattei

Estou me graduando em ciências sociais pela UFSC, interessado em tudo que possibilita questionar a condição humana e os infinitos problemas derivados do pensar abstrato; consumidor assiduo do incomum, non-sense, trash-cômico e da musica contemporanêa, crio musicas como “vinolimbo”.

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Lucas Rezende Busato
Homem, branco, cis, hétero, reconhecedor do próprio privilégio: FEMINISTA.
Arquiteto e designer por formação, [des]construtor de espaços por ideologia.
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Belle Kurves
Belle Kurves likes to cock a snook at the whole silly patriarchal system.
An explorer, Belle is about to set sail on a voyage of discovery that will be  her toughest expedition yet.  Look out for her dispatches from the frontier as Belle Kurves embarks on a quest to find the “new truth” foreshadowed by Hester Prynne – the key to establishing “the whole relation between man and woman [indeed all genders] on a surer ground of mutual happiness.
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Caroline Rocha

C.rox, cigana vestida de aquariana transitando pelo mundo das artes. Gestora Deusa/Louca/ Feiticeira da Casa de Cultura Vaca Profana em Passo Fundo-RS. Produtora cultural e feminista até o caroço.

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Advogada especialista em direito público e de família, vegetariana e meia maratonista. Não convida se não tiver vinho. Chora toda vez que vê uma ovelha.

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Beatriz Demboski Burigo

Estou no caminho pra uma graduação em Ciências Sociais, na UFSC em Florianópolis. Gosto muito do ativismo dos movimentos sociais, mas a minha praia mesmo é o backstage e o olhar sociológico sobre tudo. Sou de humanas, mas nem tanto! Amo antropologia, assim como amo falar sobre cultura pop, gênero e feminismo. No momento, pesquiso oficialmente sobre sociologia da educação, que é mais uma de minhas áreas de interesse.

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Ana Paula Ferraz

Uma figura que vai variando entre a curiosidade sobre pessoas e lugares e o interesse por culturas e olhares. Psicóloga, metida com psicanálise, política e sociedade. Poeta de boteco, cervejeira de calçada, cantora de chuveiro. Enfim, mais um mistério do planeta.

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Ana Emilia Cardoso
A meliante Ana Emília Cardoso é uma jornalista curitibana, com passagem por Florianópolis onde esteve detenta em mestrado de Sociologia Política. Por questões de segurança foi transferida para Porto Alegre e está em liberdade condicional. Trabalha com moda e pesquisas, tem 2 filhas, um marido famoso e acredita que pode mudar o mundo empoderando as mulheres.
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Vestibulanda de letras. Desengonçada com a vida e jeitosa com as palavras. Possui diversos pseudônimos, intencionada a desnudar-se de aparência e travestir sua alma com novas visões de mundo. Queria ser Maria. Descobriu-se feminista há não muito tempo, e tem muito que aprender.

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Fernanda Cacenote
Fê Cacenote, fotógrafa amadora (por amor) e profissional (por profissão) no projeto FEMMA Registros Fotográficos. Viajante espacial do mundo das ideias, colaboradora na Casa da Mãe Joanna, Casa de Cultura Vaca Profana, Coletivo Feminista Maria, vem com as outras!.  Vegetariana, amante das coisas que a natureza nos dá e feminista em eterna (des)construção e aprendizado.
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Joanna Burigo

Comunicação social, educação e feminismo – não necessariamente nessa ordem. Já trabalhei em agências, produtoras, departamentos de marketing, escolas, projetos sociais e até no Coliseu (esse mesmo). Tudo isso, em diferentes graus, em Porto Alegre, Florianópolis, Madri, Roma, Dublin e Londres, onde fiz um mestrado em Gênero, Mídia e Cultura pela LSE. Mas eu saí de Criciúma, SC.

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Maitê Weschenfelder

Acadêmica de Jornalismo e amante da fotografia, passeia entre o lírico do cotidiano e o drama de vidas reais. Uma jovem, louca, livre e solta. Sonha com igualdade e justiça social.

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Emanuelle Farezin

Formada em jornalismo e apaixonada por pixels, trabalha com projetos de mídia. Faz do feminismo seu impulso diário.

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