Bolero

Me sentir perdida é vitória diária
Nela me floresce
Súbita vontade de encontrar-me
Em um labirinto de monstros atraentes
Almejo estar
Implorando por adrenalina
Ouvi dizer:
Existe “não sei o que”
Dentro de um baú
No meio do nada
Desde então é alvo da minha busca
Nesta minha existência
Vou atrás de sonhos mínimos
E grandes pesadelos
Em carne nua
Vivo meu prazer sem culpa
Aguardando morte tardia
Nos próximos cem anos
Gozarei de amores conturbados
Beberei todo o uísque do mundo
Direi frases incautas
Terei corpos exclusivamente meus
No instante do estar
Miséria, preconceito, ganância
Jamais existirão em meu pleno futuro.

 

Por Sandra Cecília Peradeles / Ilustração Élin Godois

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