#CDMJ

  • LEIA
    • MAMMA DISS
    • WORK BITCH
    • GENUFLEXÓRIO
    • KISS MY ARS
    • GERAL
    • PELO MUNDO
  • OUÇA
  • ASSISTA
  • ESPIRAL
  • QUEM SOMOS
  • COMO PARTICIPAR
MAMMA DISS 

Feminismo e afetos tristes

17 de junho de 201623 de junho de 2017diálogo.esquerda e direita.fascismo.feminismo.hanna arendt.jair bolsonaro.política.reacionarismo.tretas

Minhas andanças online me levaram hoje até um texto de uma moça que está cansada de tretas entre feministas e que jamais imaginou que o movimento, tão importante para ela, fosse tomar esse rumo.

Eu também estou no time das feministas cansadas, mas, talvez mais do que cansada, eu me sinto uma feminista medrosa, impaciente, angustiada com a percepção de que parecemos nunca estar vigilantes o suficiente quanto aos males que combatemos.

Esses tempos assisti um psicólogo comentando que o élan de Jair Bolsonaro não era ser uma pessoa odiosa em si: era ter o talento de mobilizar o que há de pior em todas as pessoas. Nas que concordam com ele – por razões óbvias – e nas que discordam, porque estas passam a sentir e fazer circular os afetos mais baixos que um ser humano pode emular. Tristeza, impotência, raiva, ódio, desejo de morte. Bolsonaro é desprezível porque multiplica a pobreza de espírito à sua volta. É um atentado político porque é vetor de tudo aquilo que torna a vida em sociedade menos harmoniosa, mais desgastante, mais difícil.

E por que estou falando de Jair Bolsonaro em um post sobre feminismo? Porque guardadas as devidas proporções, há mais semelhanças entre feministas e fascistas do que julga a nossa vã ênfase na diferença. O confronto romântico que construímos na nossa cabeça geralmente não acomoda as tênues linhas que separam o revolucionário do reacionário, o libertário do conservador, a esquerda da direita. E eu vejo nisso uma explicação para a nossa autocrítica ser tão miseravelmente falha em alguns aspectos, e com tanta frequência.

O mal, já dizia Hannah Arendt, não aterroriza somente pela barbaridade, mas sobretudo pela banalidade.

Todas as pessoas são capazes de agenciá-lo. Tão perigoso e assustador quanto o inimigo “lá fora”, o opressor que eu acuso, é a parte dele que mora dentro de mim e que eu não enxergo – e, por não enxergar, não controlo. Essa é uma dimensão de nós que nunca dorme: ela se avantaja na primeira oportunidade de, em outros contextos, incorporarmos o poder sobre o outro. Manipular afetos tristes não é a exclusividade de ninguém, mas um denominador comum entre os seres humanos. Todos somos capazes de articular coisas baixas e, com isso, perpetrar até o que desejamos sem compreender.

Com isso, queria apenas convidar vocês a refletirem comigo sobre como vocês, com o seu feminismo, facilitam não apenas a construção, mas a destruição. Como, por serem vítimas, vocês também se tornam algozes dos outros. Se, no universo de vocês, estamos conseguindo equilibrar essas duas facetas. E finalmente, como nós podemos nos apropriar dessas “sombras” e nos tornarmos mais fortes.

O “inimigo” instrumentaliza nossas fragilidades porque cooperamos com o seu objetivo: a engrenagem do ódio só gira quando encontra mais ódio para se autoalimentar. Se nunca nos encontrarmos na vilania que é “do outro”, que está “tão fora”, “tão longe” de nós, nunca teremos como oferecer resistência a ela.

Não é legal ser a chata que vem “prestar desserviço” ao movimento visibilizando o que não funciona nele, mas venho pensando que o resgate da nossa “menina má” é urgente. Talvez esse esforço seja uma das únicas coisas que podem unificar os fragmentos de humanidade que vemos em conflito.

Um dos poucos lembretes que, para além de gênero, sexualidade, raça ou qualquer outra identidade, não somos só diferença: há, sim, algo que nos identifica enquanto militantes e principalmente, enquanto sociedade. O que todo esse bate-boca pode nos revelar sobre isso?

Por Stefanie Cirne
Imagem destacada: daqui

Compartilhe:

  • Facebook
  • Twitter
  • Tumblr
  • Pinterest
  • Google
  • Imprimir

Comments

Comentários

  • ← Recortes feministas que excluem… mulheres?
  • O desabafo que eu sempre quis escrever →

Você pode gostar também

Ficar levando fogo amigo tem sido bem foda

3 de setembro de 2016

O golpe da família patriarcal na democracia brasileira, que aceita melhor as belas e recatadas

22 de abril de 2016

Abusos dos regimes normativos de gênero: proposta de fuga com corpos que sobram

3 de agosto de 2016
Load More...
Follow on Instagram

TAGS

aborto abuso amor as7melhoresdaFem beyonce brasil cinema corpo dilma rousseff divafeminism diálogo donald trump educação empoderamento estupro falo e falo feminismo feminismo negro gaslighting genero homens LGBTQI linguagem machismo maternidade misoginia mídia netflix patriarcado poesia política prostituição racismo relacionamentos relacionamentos abusivos representacao seriados sexo trans transativismo transfeminismo transfobia violencia contra a mulher violência violência de gênero

Pelo Mundo

Ansiedade: um guia para momentos de crise
PELO MUNDO 

Ansiedade: um guia para momentos de crise

1 de junho de 2017 Joanna Burigo 0

O que fazer quando sua parceira ou parceiro tem um ataque de pânico ou episódio depressivo? Pode ser bastante assustador

Compartilhe:

  • Facebook
  • Twitter
  • Tumblr
  • Pinterest
  • Google
  • Imprimir
Semana Martin Luther King
PELO MUNDO 

Semana Martin Luther King

1 de abril de 2017 Joanna Burigo 0
Trump fez com Merkel o que homens fazem com mulheres o tempo todo
PELO MUNDO 

Trump fez com Merkel o que homens fazem com mulheres o tempo todo

21 de março de 2017 Joanna Burigo 0
Querem silenciar as mulheres. Nós vamos paralisar.
PELO MUNDO 

Querem silenciar as mulheres. Nós vamos paralisar.

7 de março de 2017 Joanna Burigo 0

About

Somos muitas. Apresentamos e representamos feminismos. E, no processo, (des)fazemos gênero. Nosso conteúdo é 100% colaborativo, e aqui na CDMJ a gente quer agregar conhecimentos oriundos das muitas correntes do feminismo, bem como saberes que não se alinham a nenhum local discursivo em específico. Buscamos aplicar os princípios da interseccionalidade a todas as nossas práticas, pois reconhecemos e respeitamos a multiplicidade de posicionalidades feministas – e não desejamos oferecer a palavra final sobre nenhum assunto em particular.

Categorias

  • ASSISTA
  • GENUFLEXÓRIO
  • GERAL
  • KISS MY ARS
  • MAMMA DISS
  • OUÇA
  • PELO MUNDO
  • WORK BITCH
Sem título-5-01
Copyright © 2017 #CDMJ. Todos os direitos reservados.
Tema: ColorMag de Themegrill. Desenvolvido por Wordpress.
Ana Clara Delajustine

Uma psicóloga feminista em luta por mais afeto. Implica com a linguagem sexista e acaba com a graça em piadas machistas. Vive de amores. É uma multidão e explosão de sentimentos. Inquieta, teimosa e bruxa, tem fé nos encontros do mundo.

Glenda Varotto

Formada em publicidade e propaganda, 23 Blogueira do site humanista secular Bule Voador.

Teci Almeida

Roteirista, produtora de conteúdo, mãe e teimosa. Acredita que de tanto insistir ainda conseguiremos fazer desse mundo um lugar melhor.

Mônica Seben de Azevedo

Artista, artesã, designer – é o que costumo colocar nos cartões de visita. Ler e acumular livros de variados assuntos são tradições familiares. Já sonhei ser arqueóloga, pensei em cursar História, Filosofia, Sociologia ou Arquitetura, mas acabei escolhendo Artes, onde posso misturar tudo isso. Gosto de viajar pelo mundo, mas sempre volto para casa. Sou curiosa por natureza e tímida que fala pelos cotovelos se tomar muito café ou vinho. Mãe por opção e determinação. Para uns, sou muito certinha e para outros, muito doida. Na verdade, sou um pouco de cada.”

Camila França

Camila França
Formada em Moda pela Udesc (2005) e pósgraduada pelo SENAC (2009) em Florianópolis, trabalhou por oito anos na indústria da moda como estilista. Em 2013, partiu em busca de qualidade de vida e atualmente dedica quase todo seu tempo ao desenho. Frequenta aulas de Artes Visuais a fim de conhecer e desenvolver sua própria poética. Seus desenhos exploram o universo feminino com técnica mista, grafite, nanquim, aquarela, marcadores e tinta acrílica.

Thais Mendes

Jornalismo é a formação, produção de moda é o ganha-pão, escrita é a paixão. Radicada em Londres há mais de uma década, estudou no London College of Communication e depois foi trabalhar com um bocado de gente grande, de Adidas à Ivete Sangalo, da TPM à Vice, e gostaria de largar tudo e só escrever. Além de feminista, é progressista, ateísta, e uma porção de *istas* que causam desconforto por onde passa. Mãe de uma garotinha de 4 anos, com quem divide uma paixão por filmes japoneses e contos de fadas subversivos.

Thaina Battestini Teixeira

Thainá Battesini Teixeira, é gaúcha e tem 23 anos. Está no último ano de graduação em História pela Universidade de Passo Fundo – UPF e é bolsista de iniciação cientifica – CNPq pesquisando as Fontes Visuais Impressas: Possibilidades de Pesquisa: Os papéis sociais atribuídos ao gênero feminino na Revista KodaK. Milita pelo Coletivo Feminista Maria, vem com as outras! e participa da organização da Marcha das Vadias de Passo Fundo no Rio Grande do Sul.

Sandra Cecília Peradeles
Mina de comunicação – fala, fala, fala.
Formada em jornalismo, é  goiana, vira-lata, caçula de sete e doidinha de amores pela vida.
Stefanie Cirne

Em 22 anos de Porto Alegre (RS), cursou Comunicação Social sem ter certeza do que estava fazendo – e formou-se jornalista sem destino definido. Felizmente, está se realizando na esquina entre o feminismo e a informação. Escreve para (sobre)viver, aventura-se no audiovisual e é fascinada por todo tipo de linguagem. Aparece regularmente por aqui.

Patricia Chiela

Gosto de gente, de relações, de vida, de ajudar as pessoas a mostrar o valor do seu negócio, de ver uma empresa ir em frente, ser forte. Tive minha agência de comunicação por quase cinco anos, atuei em áreas de planejamento e também com inovação e gestão de pessoas. Paralelo a isso, como consultora, tive a oportunidade de dar vida para mais de uma dezena de empresas, ajudar tantas outras no processo de reposicionamento e ver surgir diversas campanhas e marcas. Hoje, estou a frente da Patrícia Chiela Estratégia de Marca, que atua para que a comunicação e o marketing ajudem uma empresa a olhar para frente, profissionalizar o negócio, construir o seu valor e prosperar.

Murilo Mattei

Estou me graduando em ciências sociais pela UFSC, interessado em tudo que possibilita questionar a condição humana e os infinitos problemas derivados do pensar abstrato; consumidor assiduo do incomum, non-sense, trash-cômico e da musica contemporanêa, crio musicas como “vinolimbo”.

Lucas Rezende Busato
Homem, branco, cis, hétero, reconhecedor do próprio privilégio: FEMINISTA.
Arquiteto e designer por formação, [des]construtor de espaços por ideologia.
Belle Kurves
Belle Kurves likes to cock a snook at the whole silly patriarchal system.
An explorer, Belle is about to set sail on a voyage of discovery that will be  her toughest expedition yet.  Look out for her dispatches from the frontier as Belle Kurves embarks on a quest to find the “new truth” foreshadowed by Hester Prynne – the key to establishing “the whole relation between man and woman [indeed all genders] on a surer ground of mutual happiness.
Caroline Rocha

C.rox, cigana vestida de aquariana transitando pelo mundo das artes. Gestora Deusa/Louca/ Feiticeira da Casa de Cultura Vaca Profana em Passo Fundo-RS. Produtora cultural e feminista até o caroço.

Bruna Kern Graziuso

Advogada especialista em direito público e de família, vegetariana e meia maratonista. Não convida se não tiver vinho. Chora toda vez que vê uma ovelha.

Beatriz Demboski Burigo

Estou no caminho pra uma graduação em Ciências Sociais, na UFSC em Florianópolis. Gosto muito do ativismo dos movimentos sociais, mas a minha praia mesmo é o backstage e o olhar sociológico sobre tudo. Sou de humanas, mas nem tanto! Amo antropologia, assim como amo falar sobre cultura pop, gênero e feminismo. No momento, pesquiso oficialmente sobre sociologia da educação, que é mais uma de minhas áreas de interesse.

Ana Paula Ferraz

Uma figura que vai variando entre a curiosidade sobre pessoas e lugares e o interesse por culturas e olhares. Psicóloga, metida com psicanálise, política e sociedade. Poeta de boteco, cervejeira de calçada, cantora de chuveiro. Enfim, mais um mistério do planeta.

Ana Emilia Cardoso
A meliante Ana Emília Cardoso é uma jornalista curitibana, com passagem por Florianópolis onde esteve detenta em mestrado de Sociologia Política. Por questões de segurança foi transferida para Porto Alegre e está em liberdade condicional. Trabalha com moda e pesquisas, tem 2 filhas, um marido famoso e acredita que pode mudar o mundo empoderando as mulheres.
Arieli Corrêa

Vestibulanda de letras. Desengonçada com a vida e jeitosa com as palavras. Possui diversos pseudônimos, intencionada a desnudar-se de aparência e travestir sua alma com novas visões de mundo. Queria ser Maria. Descobriu-se feminista há não muito tempo, e tem muito que aprender.

Aline Estevam

Manja das 7 melhores da Fem.

Fernanda Cacenote
Fê Cacenote, fotógrafa amadora (por amor) e profissional (por profissão) no projeto FEMMA Registros Fotográficos. Viajante espacial do mundo das ideias, colaboradora na Casa da Mãe Joanna, Casa de Cultura Vaca Profana, Coletivo Feminista Maria, vem com as outras!.  Vegetariana, amante das coisas que a natureza nos dá e feminista em eterna (des)construção e aprendizado.
Joanna Burigo

Comunicação social, educação e feminismo – não necessariamente nessa ordem. Já trabalhei em agências, produtoras, departamentos de marketing, escolas, projetos sociais e até no Coliseu (esse mesmo). Tudo isso, em diferentes graus, em Porto Alegre, Florianópolis, Madri, Roma, Dublin e Londres, onde fiz um mestrado em Gênero, Mídia e Cultura pela LSE. Mas eu saí de Criciúma, SC.

Maitê Weschenfelder

Acadêmica de Jornalismo e amante da fotografia, passeia entre o lírico do cotidiano e o drama de vidas reais. Uma jovem, louca, livre e solta. Sonha com igualdade e justiça social.

Emanuelle Farezin

Formada em jornalismo e apaixonada por pixels, trabalha com projetos de mídia. Faz do feminismo seu impulso diário.