Gravidez não é doença
“Gravidez não é doença”. As pessoas sempre dizem isso quando uma mulher grávida quer voltar mais cedo para casa de uma festa onde a única pessoa sóbria é ela. Todos em AM, ela em FM.
“Gravidez não é doença”. As pessoas sempre dizem isso quando uma mulher grávida se recusa a fazer algum trabalho que exija muita força física.
“Gravidez não é doença!”. As pessoas sempre dizem isso quando uma mulher grávida recusa algum convite porque o que ela quer mesmo é chegar em casa, jantar, tomar banho e dormir.
A sociedade exige que a mulher grávida seja a pessoa mais disposta, saltitante, feliz e bem humorada do mundo. Por quê? Porque gravidez não é doença!
Concordo, não é doença. Porém, quando engravidam, algumas mulheres sofrem muito com azia e enjoos – algumas chegam a emagrecer vários quilos simplesmente porque NADA para no estômago. Se você pega uma virose e vomita por um dia inteiro, já se sente um farrapo humano. Imagine essa situação se prolongando por meses seguidos.
Outras mulheres sofrem de uma exaustão física extrema, incapacitante mesmo, que nada tem a ver com má vontade ou preguiça. Não sei exatamente a causa, mas imagino que tenha a ver com o fato de que, mesmo em repouso, seu corpo está trabalhando em tempo integral, construindo braços, pernas, globos oculares e nervos.
Outras mulheres sofrem de constipação severa, insônia, dor no cóccix, falta de ar, acne, dores e mal estar generalizados por meses a fio. Mas não devem reclamar, afinal “gravidez não é doença”.
Além disto, tem todo o baque emocional causado pelo rebuliço hormonal, pela aceitação da gravidez e pela mudança extrema de hábitos. Algumas mulheres têm medo de fazer sexo até o médico dizer que está tudo bem e que não haverá problema. Outras mulheres saem para comprar aquele chá preferido e descobrem que é desaconselhável tomar chá de ervas durante todo o primeiro trimestre.
A mulher grávida pára de fumar, de beber, de ingerir alimentos com conservantes e corantes, de pintar o cabelo, de usar vários cosméticos, de ingerir medicamentos. E, no meio de tudo isto, a gestante ainda tem que escutar de um monte de gente (e principalmente de HOMENS), que “gravidez não é doença”.
Sério, gente. Parem de cagar regra na vida alheia, no corpo alheio, na disposição alheia, na gravidez alheia.
Por Alice Busch
Imagem destacada: Judy Chicago, The Birth Project
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