Eu queria escrever coisas bonitas, mas machismo mata
Eu queria muito escrever coisas bonitas. Queria muito parar de falar sobre tragédias, sobre mulheres sendo espancadas, estupradas, queimadas, decepadas, mortas. Mas não dá, definitivamente não dá. Machismo mata. E mata todos os dias. Mata a cada 5 minutos. Mata 15 mulheres por dia. Mata sua amiga, sua vizinha. Mata você.
Machismo mata. E mata todos os dias.
Fernanda Pimenta Cerqueira, de 37 anos, foi estrangulada até a morte pelo ex marido, que jogou o corpo da advogada em uma vala na rodovia Rio Santos.
Kelly Gisele da Silva tinha 15 anos. estava grávida e foi morta com mais de 10 tiros na vagina.
Beatriz tem 16 anos e foi estuprada por 33 homens em uma comunidade no Rio de Janeiro.
A apresentadora Ana Hickmann sofreu em maio desse ano uma tentativa de femincídio de um homem que a perseguia nas redes sociais.
A ex modelo e empresária Luiza Brunet teve quatro costelas quebradas e muitos hematomas roxos pelo corpo depois de ter sido agredida pelo marido.
As comerciantes Cristiane Vendramini e Patrícia Peixoto, foram mortas a pauladas pelo ex marido de Patrícia que vinha perseguindo e ameaçando a ex esposa há vários meses.
Qandeel Baloch era webcelebridade do Paquistão. Idolatrada por muitos jovens do país por sua coragem de quebrar tabus, ela foi estrangulada até a morte pelo seu irmão mais velho que afirma que fez isso para defender a honra da família.
Christiane de Souza Andrade, de 46 anos, foi morta a facadas na frente da filha dela, de apenas 7 anos. O autor do crime é o ex namorado.
E vocês tem coragem de falar para a gente que machismo não existe?
Vocês tem coragem de falar para a gente que machismo não existe?
A imprensa gosta de noticiar feminicídio de forma romantizada:
“Estava cego de ciúme e matou por amor”
“Não aguentou a saudade depois da separação e atirou na esposa”
“Não aceitava o fim do romance e perdeu a cabeça”
Não, não e não. Homens matam por misoginia. Porque foram socializados dentro de uma cultura machista que ensina desde muito cedo que mulher é propriedade, que mulher vale menos, que mulher não pode dizer não. Homens matam por ódio, porque eles aprenderam que mulheres são seres inferiores que devem apenas submissão a eles. Já está na hora da imprensa parar de tratar feminicídio como um romance barato de banca de jornal.
E também já passou da hora de começar a dar nomes aos bois: não é homicídio quando uma mulher é morta por conta do seu gênero e sim FEMINICÍDIO.
Eu não preciso de “provas” quando uma mulher afirma que sofreu alguma opressão. Se uma mulher negra afirma que foi racismo, foi racismo e ponto.
Quando se é mulher a gente passa a vida tendo que provar tudo que falamos. Precisamos provar quando somos agredidas física e emocionalmente,precisamos provar que a misoginia nos mata, precisamos provar que somos estupradas a cada 11 minutos, precisamos provar que não estamos loucas.
Ser mulher é isso: precisar provar tudo o tempo todo, porque o mundo não acredita na gente.
E ai você encontra um movimento que te acolhe, um movimento que é sobre você e para você e dentro desse movimento, pasmem, mulheres precisam “provar” para outras mulheres as opressões que elas sofreram.Oi? quem pede provas é o patriarcado, viu migas. As delegacias da mulher são a prova viva disso.
Melhorem, apenas.
Por Fernanda Vicente
Imagem destacada – via Agência Patrícia Galvão
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