A complicada e complexa dinâmica da empatia

Poxa, que complicada e complexa é a dinâmica de empatia.

Veja bem, eu me reconheci em um lugar de opressão, aos poucos entendendo o discurso e as práticas do feminismo, encontrei uma forma de proteger a minha integridade humana em um mundo que quer me ver no chão diariamente. Não tem mais espaço no meu autoconhecimento pra nada do que pensei a respeito de mim mesma antes do feminismo, e as sobras do domínio patriarcal são combatidas no meu dia a dia.

Mais uma vez, veja bem.

O espaço de liberação e desconstrução do feminismo necessita, no meu ponto de vista, antes de qualquer coisa, de uma habilidade de enxergar a outra dentro do seu contexto e ser sensível a isso. O machismo já faz o oposto disso com frequência, e nos cabe impreterivelmente abandonar a postura de defesa e abraçar com urgência a ideia de que precisamos nos proteger e não atacar umas às outras.

Em benefício do próprio argumento, desconsidera-se as necessidades que outras comunicam.

Dói profundamente presenciar um diálogo em um espaço feminista, onde mulheres em benefício do próprio argumento, desconsideram as necessidades que outras comunicam.

Não está certo transformar companheiras de luta – relembrando que cada uma existe dentro do seu contexto, mas sem deixar que a luta feminista deixe de ser por EQUIDADE – em alvos de caça. Enquanto eu e você não baixarmos a guarda e repensarmos como estamos vendo uma a outra, vamos continuar a perder 200 comentários em um post que quisera a deusa que fossem de construção coletiva, mas acabam projetando o nosso preconceito e incapacidade de encarnar o discurso.

Empatia não pode se esvaziar de significado. É isso que motiva a necessidade de diálogo.

Empatia, o famoso termo dentro da nossa convivência não pode se esvaziar de significado. É isso que motiva a necessidade de diálogo, saber que as raízes das questões são mais profundas e não existe como esclarecer essas questões e entender de fato se não houver disposição para tal. Sendo assim, se não for com tais métodos, giramos em torno de agressão e falta de respeito. E, bem de boa: já temos isso o suficiente.

No mais é isso. Lugar de fala não só serve pra evitar que a gente fale do que não sabe, mas principalmente pra RECONHECER E VALORIZAR PERSPECTIVAS vindas de quem tá na linha de frente de acordo com seu contexto social.

Vamos deixar pra trás esse mau hábito de proteger mais o nosso argumento do que nossas irmãs. Bora se observar!

Por Caroline Trindade Rocha
Imagem destacada: daqui

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