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Militância, protagonistas e coadjuvantes

7 de julho de 20167 de julho de 2016alianças.aprendizado.diálogo.ego.militância egóica.tretas

Quero começar dizendo que heterossexuais devem falar sobre homossexualidade. Não apenas falar, devem poder questionar também. Não estou discutindo como uma pesquisa acadêmica deve ser conduzida, mas como temos convivido com o senso comum.

Embora alguns grupos acreditem que eles estariam abordando uma realidade que não os compete, eu vejo de outra forma. Ninguém existe isoladamente. Nos colocamos no mundo sempre em relação a um outro alguém, fazendo com que nossas experiências sejam sempre coletivas. Ainda que a gente tente fazer a discussão acontecer apenas entre os que vivenciam, o debate sobre a homossexualidade nunca será unilateral, pois estaríamos falando também daqueles que se impõem sobre nós.

É por isso que o protagonismo perde seu sentido sem os coadjuvantes, pois um precisa do outro para ter lógica. Na verdade, se a ideia do protagonismo for levada ao pé da letra, ninguém realmente poderá falar por ninguém, uma vez que nossas experiências são únicas e singulares. Esse ponto me preocupa, ele presume que lutaremos apenas pelo que nos afeta diretamente, desconsiderando outras formas de se comover sem precisar viver aquilo na pele. Se não há como despertar empatia e assumimos que é impossível sensibilizar através de outros meios, por que continuamos contando nossa história? Contraditório.

Nesse sentido, duas únicas alternativas são apresentadas aos considerados opressores. Concordar ou se calar. Afinal, de qual mudança estamos falando aqui? Uma que deve ser bastante rasa e superficial, pois é isso que tal ativismo provoca. Se não é permitido falar, duvidar e expor a própria opinião, qual é o nível de transformação que propomos? De verdade, esse é um questionamento que tem me mobilizado ultimamente.

Existe um poder transformador no diálogo, no acolhimento, na disputa, mas não vejo o mesmo efeito quando exigimos silêncio.

Existe um poder transformador no diálogo, no acolhimento, na disputa, mas não vejo o mesmo efeito quando exigimos silêncio. Não dar pitaco é somente um dos exemplos. No entanto, que se calem e não participem é exatamente aquilo que a sociedade sempre esperou dessas pessoas. Heterossexuais devem ocupar um lugar nas nossas discussões, cabendo a nós distinguir quando sufocam de quando ecoam nossas propostas. Às vezes, um pouco de tato é aquilo que diferencia o avanço da estagnação.

Barrar que outros participem desse processo, devido a uma característica que carregam, também impede que nossos objetivos ganhem força. Partindo do pressuposto que a ideia é conscientizar, qual é o motivo para manter tanta informação restrita a um grupo minoritário de pessoas? De que adianta falar em círculos, somente para quem já concorda com aquilo que acabamos de dizer? Funciona muito mais discutir abertamente, permitindo que o aprendizado flua de maneira horizontal. Essa é uma mudança profunda, pois reconhece a atuação do sujeito, seu tempo e sua capacidade.

Precisamos dar conta da incerteza, ampliar nossas verdades.

Rever uma história de vida que foi construída para subjugar os outros não é tão fácil quanto trocar de roupa, ainda mais quando não é permitido raciocinar durante esse percurso. Precisamos dar conta da incerteza, ampliar nossas verdades. Caso contrário, não serão genuinamente afetados pelas reflexões que trazemos. A aprendizagem é um caminho que envolve trocas, divergências e intervenções. Não apenas os sujeitos devem ser desconstruídos, mas também os muros que erguemos contra eles. Estamos falando de gente, e gente querendo ajudar nunca será algo negativo.

Um ativismo que desconsidera o contexto que está inserido e só aceita que os interlocutores concordem ou se calem, cedo ou tarde, presta mais um desserviço à própria causa.

Alianças são necessárias, inclusive diante do cenário político atual. Um ativismo que desconsidera o contexto que está inserido e só aceita que os interlocutores concordem ou se calem, cedo ou tarde, presta mais um desserviço à própria causa. Muito pode ser conquistado se enxergarmos a potência que há na dinâmica com o outro, sem precisar torná-lo um recipiente vazio. Ele é sempre uma ponte, nunca um fim. Ocasionalmente, tudo que precisamos é de alguém que nos pergunte: o que temos a perder com isso?

Ego, algo que não é compatível com movimento social.

Por Travesti Reflexiva
Imagem destacada: detalhe de um poster de José Gómez Fresquet (Frémez)

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Somos muitas. Apresentamos e representamos feminismos. E, no processo, (des)fazemos gênero. Nosso conteúdo é 100% colaborativo, e aqui na CDMJ a gente quer agregar conhecimentos oriundos das muitas correntes do feminismo, bem como saberes que não se alinham a nenhum local discursivo em específico. Buscamos aplicar os princípios da interseccionalidade a todas as nossas práticas, pois reconhecemos e respeitamos a multiplicidade de posicionalidades feministas – e não desejamos oferecer a palavra final sobre nenhum assunto em particular.

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Uma psicóloga feminista em luta por mais afeto. Implica com a linguagem sexista e acaba com a graça em piadas machistas. Vive de amores. É uma multidão e explosão de sentimentos. Inquieta, teimosa e bruxa, tem fé nos encontros do mundo.

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Artista, artesã, designer – é o que costumo colocar nos cartões de visita. Ler e acumular livros de variados assuntos são tradições familiares. Já sonhei ser arqueóloga, pensei em cursar História, Filosofia, Sociologia ou Arquitetura, mas acabei escolhendo Artes, onde posso misturar tudo isso. Gosto de viajar pelo mundo, mas sempre volto para casa. Sou curiosa por natureza e tímida que fala pelos cotovelos se tomar muito café ou vinho. Mãe por opção e determinação. Para uns, sou muito certinha e para outros, muito doida. Na verdade, sou um pouco de cada.”

Camila França

Camila França
Formada em Moda pela Udesc (2005) e pósgraduada pelo SENAC (2009) em Florianópolis, trabalhou por oito anos na indústria da moda como estilista. Em 2013, partiu em busca de qualidade de vida e atualmente dedica quase todo seu tempo ao desenho. Frequenta aulas de Artes Visuais a fim de conhecer e desenvolver sua própria poética. Seus desenhos exploram o universo feminino com técnica mista, grafite, nanquim, aquarela, marcadores e tinta acrílica.

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Jornalismo é a formação, produção de moda é o ganha-pão, escrita é a paixão. Radicada em Londres há mais de uma década, estudou no London College of Communication e depois foi trabalhar com um bocado de gente grande, de Adidas à Ivete Sangalo, da TPM à Vice, e gostaria de largar tudo e só escrever. Além de feminista, é progressista, ateísta, e uma porção de *istas* que causam desconforto por onde passa. Mãe de uma garotinha de 4 anos, com quem divide uma paixão por filmes japoneses e contos de fadas subversivos.

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Thainá Battesini Teixeira, é gaúcha e tem 23 anos. Está no último ano de graduação em História pela Universidade de Passo Fundo – UPF e é bolsista de iniciação cientifica – CNPq pesquisando as Fontes Visuais Impressas: Possibilidades de Pesquisa: Os papéis sociais atribuídos ao gênero feminino na Revista KodaK. Milita pelo Coletivo Feminista Maria, vem com as outras! e participa da organização da Marcha das Vadias de Passo Fundo no Rio Grande do Sul.

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Formada em jornalismo, é  goiana, vira-lata, caçula de sete e doidinha de amores pela vida.
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Gosto de gente, de relações, de vida, de ajudar as pessoas a mostrar o valor do seu negócio, de ver uma empresa ir em frente, ser forte. Tive minha agência de comunicação por quase cinco anos, atuei em áreas de planejamento e também com inovação e gestão de pessoas. Paralelo a isso, como consultora, tive a oportunidade de dar vida para mais de uma dezena de empresas, ajudar tantas outras no processo de reposicionamento e ver surgir diversas campanhas e marcas. Hoje, estou a frente da Patrícia Chiela Estratégia de Marca, que atua para que a comunicação e o marketing ajudem uma empresa a olhar para frente, profissionalizar o negócio, construir o seu valor e prosperar.

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Estou me graduando em ciências sociais pela UFSC, interessado em tudo que possibilita questionar a condição humana e os infinitos problemas derivados do pensar abstrato; consumidor assiduo do incomum, non-sense, trash-cômico e da musica contemporanêa, crio musicas como “vinolimbo”.

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Uma figura que vai variando entre a curiosidade sobre pessoas e lugares e o interesse por culturas e olhares. Psicóloga, metida com psicanálise, política e sociedade. Poeta de boteco, cervejeira de calçada, cantora de chuveiro. Enfim, mais um mistério do planeta.

Ana Emilia Cardoso
A meliante Ana Emília Cardoso é uma jornalista curitibana, com passagem por Florianópolis onde esteve detenta em mestrado de Sociologia Política. Por questões de segurança foi transferida para Porto Alegre e está em liberdade condicional. Trabalha com moda e pesquisas, tem 2 filhas, um marido famoso e acredita que pode mudar o mundo empoderando as mulheres.
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Vestibulanda de letras. Desengonçada com a vida e jeitosa com as palavras. Possui diversos pseudônimos, intencionada a desnudar-se de aparência e travestir sua alma com novas visões de mundo. Queria ser Maria. Descobriu-se feminista há não muito tempo, e tem muito que aprender.

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Manja das 7 melhores da Fem.

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Joanna Burigo

Comunicação social, educação e feminismo – não necessariamente nessa ordem. Já trabalhei em agências, produtoras, departamentos de marketing, escolas, projetos sociais e até no Coliseu (esse mesmo). Tudo isso, em diferentes graus, em Porto Alegre, Florianópolis, Madri, Roma, Dublin e Londres, onde fiz um mestrado em Gênero, Mídia e Cultura pela LSE. Mas eu saí de Criciúma, SC.

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Acadêmica de Jornalismo e amante da fotografia, passeia entre o lírico do cotidiano e o drama de vidas reais. Uma jovem, louca, livre e solta. Sonha com igualdade e justiça social.

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Formada em jornalismo e apaixonada por pixels, trabalha com projetos de mídia. Faz do feminismo seu impulso diário.